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Polícia Civil intima streamer acusado de homofobia contra ator durante o Rock in Rio

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro intimou o streamer Jean Almeida Hilário, de 19 anos, conhecido como GH Rell RJ, a prestar depoimento sobre a abordagem ao ator João Victor Gonçalves durante o Rock in Rio. Identificado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), o jovem é investigado após ser acusado pelo artista de praticar homofobia durante uma transmissão ao vivo. O episódio, que ganhou ampla repercussão nas redes sociais, expôs uma abordagem marcada por perseguição, deboche e ataques à aparência do ator.

As imagens registradas nas proximidades do Parque dos Atletas mostram Jean e outros três jovens seguindo João Victor e fazendo comentários sobre suas roupas. Em determinado momento, um dos integrantes do grupo chama o ator de “horroroso” e debocha do tom de sua calça. Diante da situação, João Victor afirmou ter sentido medo e classificou a abordagem como criminosa. O ator, que interpreta Mau Mau em “Quem Ama Cuida”, também denunciou o episódio como uma manifestação de preconceito e reforçou que não pretende deixar o caso impune. “Somos mais fortes que qualquer coisa. Impunes não vão ficar, homofobia é crime”, declarou.

A repercussão fez com que a plataforma Kick banisse o perfil de GH Rell RJ. Além da investigação sobre a denúncia de discriminação apresentada por João Victor, a Decradi também deverá analisar uma acusação de racismo levantada posteriormente pelo streamer, que questionou se o temor manifestado pelo ator de ser assaltado estaria relacionado à sua cor. A defesa de João nega qualquer prática racista e afirma que o medo surgiu em razão da abordagem intimidatória de quatro pessoas contra uma. Os advogados também destacam que transformar roupas associadas a expressões de gênero em motivo de humilhação pública representa uma conduta discriminatória que não deve ser tratada como simples brincadeira ou entretenimento.

Jean deverá prestar esclarecimentos à Decradi, enquanto João Victor também foi chamado a depor na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). Os advogados do streamer reconheceram que a postura adotada durante a live foi inadequada e pediram desculpas, mas negam que tenha havido referência à orientação sexual do ator. O caso agora será analisado pelas delegacias especializadas, que deverão reunir os depoimentos e demais elementos para apurar as responsabilidades.