A atriz Claudia Raia revelou ter sido detida na Argentina aos 15 anos de idade durante uma operação policial marcada pela perseguição a homens gays. A artista contou que estava acompanhada de 19 amigos homossexuais quando todos foram levados a uma delegacia, em um episódio ocorrido em 1982, durante a Guerra das Malvinas e a ditadura militar argentina. O relato foi feito durante sua participação no programa Ambulatório da M.O.D.A., apresentado por Gabb, que estreia nesta quinta-feira (15/10).
Na época, Claudia trabalhava no espetáculo musical “Sexcitante”, ao lado da apresentadora argentina Susana Giménez. Durante uma noite, enquanto estava em um restaurante com os amigos, policiais entraram no estabelecimento e começaram a abordar as pessoas presentes. Um dos rapazes chegou a aconselhá-la a não falar espanhol, na tentativa de evitar que ela fosse identificada como brasileira e escapasse da abordagem. A estratégia, no entanto, não funcionou: cartazes com a imagem da atriz estavam expostos em um teatro próximo, facilitando seu reconhecimento pelos agentes.
Ao recordar o episódio, Claudia descreveu um cenário de repressão em que homens considerados gays pelas autoridades poderiam ser perseguidos, detidos e agredidos. “Fui presa já na Argentina. Teve um momento, na Guerra das Malvinas, que os gays eram proibidos de existir”, afirmou. A atriz também questionou os critérios usados pelos policiais para identificar quem deveria ser abordado. “Quem eles achavam que era gay, levavam e batiam. Como você julga uma pessoa andando na rua?”, declarou. Sobre a própria detenção, ela resumiu o desespero que sentiu diante da situação: “Me levaram e foi uma loucura. Eu e 19 gays. Estava preocupadíssima com meus amiguinhos gays”.
Claudia conseguiu deixar a delegacia ainda naquele dia após a intervenção de sua mãe, Odette Motta Raia, que estava no apartamento onde as duas se hospedavam. A atriz também demonstrou indignação por ter sido detida ainda adolescente. Apesar de ter sido liberada, ela afirma que a ocorrência deixou consequências que persistem até hoje: segundo seu relato, seus documentos ainda passam por uma análise relacionada ao episódio quando desembarca na Argentina.
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