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Homem denuncia ataques homofóbicos e racistas de apoiadora de Flávio Bolsonaro no metrô de SP

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O administrador Felipe Patryck denunciou ter sido vítima de ofensas homofóbicas e racistas, ameaças e tentativas de agressão na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, na noite de domingo (18). Em entrevista ao g1, ele contou que voltava de uma manifestação na região da Faria Lima com o marido e dois amigos quando foi abordado por uma mulher que, segundo seu relato, começou a fazer gestos de cunho sexual e a proferir ofensas sem motivo aparente. A mulher seria apoiadora de Flávio Bolsonaro (PL) e havia participado de uma manifestação política na Avenida Paulista. Felipe também afirmou que ela aproximou o celular do rosto do grupo de maneira intimidatória.

Durante a confusão, o estudante Márcio Ferreira, que estava no mesmo vagão e não conhecia os envolvidos, tentou intervir para evitar que a discussão terminasse em agressão física. Segundo ele, a mulher reagiu com insultos homofóbicos e racistas. “Então você está com eles? Você é viado igual a eles…”, teria dito antes de começar a proferir ofensas raciais, conforme o relato de Márcio. O estudante registrou parte do episódio em vídeo, no qual a mulher admite tê-lo chamado de “preto de bosta”. Nas imagens, ela tenta justificar o comportamento alegando ter familiares negros. Segundo Márcio, as ofensas continuaram e a mulher chegou a persegui-lo pela estação.

Felipe afirmou que só tomou conhecimento das agressões contra Márcio depois de receber os vídeos, na manhã seguinte. Ele e os amigos também registraram boletim de ocorrência e encaminharam as gravações às autoridades. Apesar do medo após o episódio, o administrador disse que não pretende deixar de frequentar espaços públicos nem demonstrar afeto pelo marido. “Não quero que o medo me faça abrir mão do meu direito de existir, de amar e de andar livremente pelos espaços públicos, sem ser humilhado ou ameaçado por quem sou. O que eu quero é justiça”, declarou. Ele também questionou a atuação dos agentes de segurança do metrô, alegando que não teriam tomado medidas efetivas para interromper os ataques.

O Ministério Público informou que o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) requisitou a instauração de inquérito policial para investigar o caso de Márcio. Em nota ao g1, a Motiva, concessionária responsável pela Linha 4-Amarela, afirmou que seus agentes atenderam à ocorrência, acolheram o estudante e ofereceram encaminhamento a uma delegacia, mas ele optou por não ir naquele momento. A empresa declarou repudiar manifestações de racismo e discriminação e disse estar à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos. Felipe, por sua vez, espera que as denúncias feitas por ele e seus amigos também sejam investigadas e que a mulher seja responsabilizada caso as condutas relatadas sejam comprovadas.