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“Não aceitei menos”: influenciadora trans reflete o que aprendeu sobre amor, respeito e acolhimento ao lado de namorado cis hétero

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A criadora de conteúdo Paulla Baçal, natural de São José, em Santa Catarina, viralizou nas redes sociais ao compartilhar reflexões sobre o que tem aprendido no relacionamento com o namorado, Tiago, um homem cisgênero e heterossexual. Em um vídeo publicado ao lado do parceiro, ela falou sobre acolhimento, respeito, autoestima e a importância de estar com alguém que compreenda as particularidades da vivência de uma mulher trans.

“Eu aprendi a ser mais gentil comigo mesma”, contou Paulla, ao destacar como a relação também tem contribuído para seu processo de autoconhecimento e fortalecimento pessoal. Entre os aprendizados, Paulla contou que passou a enxergar o cavalheirismo de outra maneira. “Antes eu tinha mais relutância sobre isso”, admitiu. Ela também ressaltou que, embora um parceiro cisgênero não vivencie na própria pele as dificuldades enfrentadas por uma pessoa trans, a disposição para acolher e respeitar faz toda a diferença. “Eu não sei o que é de fato, mas deve ser realmente muito difícil, eu te entendo, te acolho”, exemplificou, ao descrever a postura que considera importante em um relacionamento. A influenciadora ainda destacou que Tiago é seu primeiro namorado após a transição e relembrou uma diferença que aprendeu a reconhecer: “Um homem seguro de si, pra um homem que nos ama e que nos deseja, mas que tem vergonha de ser visto na rua com a gente”.

A criadora de conteúdo também defendeu a importância de ter ao lado alguém interessado em conhecer as particularidades da experiência trans. “Eu aprendi como é importante ter um parceiro do meu lado que seja curioso sobre o assunto trans, sobre as especificidades, sobre as necessidades, sobre as dores”, afirmou. Paulla citou, inclusive, a importância de o companheiro demonstrar interesse por questões relacionadas à terapia hormonal, algo que, segundo ela, nem todos os homens consideram relevante. Outro aspecto destacado foi o alinhamento político dentro da relação. “É importante também você estar alinhado politicamente comigo e do mesmo lado, do lado que resguarda meus direitos, a minha dignidade”.

Ao falar sobre autoestima, Paulla reconheceu que ainda enfrenta dificuldades para aplicar a si mesma o carinho que costuma oferecer às outras pessoas. “Sou muito gentil com as pessoas, sou muito amável, muito resiliente, mas comigo mesma eu sou muito dura”, desabafou. Ela também admitiu que, apesar de se sentir empoderada em determinados momentos, continua aprendendo a se fortalecer e a se preocupar menos com a opinião alheia. “Eu me sinto muito ainda crua nesse processo de me fortalecer e de me importar cada vez menos com as pessoas”, explicou. Ao final, a influenciadora deixou uma mensagem para outras mulheres trans, incentivando-as a reconhecer relações baseadas em respeito, acolhimento e segurança emocional, sem aceitar menos do que merecem.