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PrEP injetável contra o HIV pode chegar ao SUS ainda em 2026 com proteção por dois meses

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A prevenção ao HIV ganhou novas possibilidades nos últimos anos, ampliando as alternativas para quem busca se proteger da infecção para além do uso dos preservativos. No Brasil, a PrEP (profilaxia pré-exposição) já é oferecida gratuitamente pelo SUS desde 2018 e, atualmente, é utilizada por mais de 150 mil pessoas. Agora, uma nova opção de longa duração pode ampliar esse acesso: o cabotegravir, medicamento injetável capaz de oferecer proteção contra o HIV com aplicações realizadas a cada dois meses.

Produzido pela farmacêutica GSK, o cabotegravir recebeu aprovação da Anvisa há três anos, mas ainda não foi incorporado ao SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é que o medicamento possa começar a chegar à rede pública no segundo semestre de 2026, caso sejam concluídas as etapas necessárias para sua implementação. A proposta inicial prevê cerca de 3 mil tratamentos, parte deles destinada a um estudo que será realizado nas cinco regiões do país e outra parcela voltada a populações específicas.

Segundo Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI), a PrEP injetável não deverá substituir a versão oral diária, mas funcionar como uma alternativa para pessoas que hoje têm menor acesso ou dificuldade de manter a prevenção de forma contínua. “Vamos tentar chegar às populações que não vêm sendo cobertas de forma satisfatória pela PrEP oral”, afirmou ao jornal O GLOBO, citando especialmente mulheres cis e trans, travestis e outros grupos vulnerabilizados. Atualmente, cerca de 80% dos usuários da PrEP oral diária são homens que fazem sexo com homens.

Outro fator apontado pelo Ministério da Saúde é o estigma que ainda pode acompanhar o uso da PrEP, principalmente entre jovens que não se sentem seguros para manter o medicamento em casa. Para esse público, a possibilidade de receber uma aplicação a cada dois meses pode representar uma alternativa mais discreta. “Basta ir a cada dois meses na unidade de saúde e não é preciso levar nada para casa”, explicou Draurio. O estudo também deve avaliar diferentes estratégias de prevenção, incluindo a PrEP oral, o cabotegravir injetável e o anel vaginal. Enquanto isso, outra tecnologia de duração ainda maior, o lenacapavir, desenvolvido pela Gilead Sciences e com proteção de seis meses, continua sem acordo para incorporação ao sistema brasileiro devido às discussões envolvendo seu custo.