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“Sapatão ganha eleição”: Polícia Civil investigará padre por homofobia durante missa ao criticar votação de aliada no DF

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) vai investigar uma denúncia de homofobia contra o padre Moacir Anastácio de Carvalho, fundador da comunidade católica Renascidos em Pentecostes. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e será apurado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). O religioso é acusado de fazer declarações ofensivas contra pessoas LGBTQIA+ durante uma celebração religiosa realizada em 6 de outubro, após demonstrar insatisfação com o resultado das eleições.

Segundo o registro policial, o sacerdote criticou os fiéis pela falta de apoio à sua aliada política Cricia Martins, cantora de Pentecostes, psicóloga e missionária há mais de 30 anos, que disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Durante a homilia, transmitida ao vivo pelas redes sociais, Moacir teria afirmado que a candidata precisaria “virar sapatão” para vencer nas urnas, utilizando o termo de forma pejorativa. O padre também teria feito referências a parlamentares eleitos, entre eles a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que recebeu cerca de 1,5 milhão de votos, e o deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF), primeiro parlamentar abertamente gay eleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A denúncia também aponta que o religioso teria exposto publicamente o companheiro de uma das pessoas envolvidas no caso, que é homossexual e mantém um relacionamento homoafetivo. Conforme o relato, Moacir mencionou o homem em tom de deboche e declarou que o chamaria para disputar uma eleição futura, em meio a críticas aos resultados das urnas e à participação política de pessoas LGBTQIA+. Procurado pelo portal Metrópoles inicialmente, o sacerdote afirmou não se lembrar de tudo o que havia dito durante a homilia, mas declarou não ter nada contra pessoas homossexuais.

Posteriormente, após rever a gravação da celebração, Moacir divulgou um posicionamento reconhecendo que utilizou “expressões inadequadas, que não traduzem o meu pensamento nem o ensinamento da Igreja sobre a dignidade de toda pessoa humana”. O padre também pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que nunca teve a intenção de diminuir, ridicularizar ou discriminar ninguém. “Como sacerdote, sou chamado a acolher a todos, sem distinção”, declarou. A denúncia será apurada pela Polícia Civil, que deverá analisar as circunstâncias e o conteúdo das declarações atribuídas ao religioso.