O que deveria ser um procedimento simples acabou se transformando em um episódio de constrangimento e indignação para um casal de mulheres em São Paulo. A influenciadora Ingrid Domiciano, de 36 anos, usou as redes sociais para relatar a experiência vivida ao lado da esposa, Catarina Carbonari, durante a tentativa de emitir a Carteira de Identidade Nacional (CIN) da filha Abigail, de apenas seis meses, em uma unidade do Poupatempo. Segundo elas, o atendimento foi marcado por sucessivos impasses e por uma negativa inicial baseada no fato de a criança ter duas mães.
De acordo com o relato, a situação começou quando a atendente questionou de forma insistente quem seria “a mãe”, ignorando que Ingrid e Catarina compartilham a maternidade. Mesmo após explicarem a configuração familiar, as funcionárias alegaram que o sistema não permitiria a emissão do CIN para crianças com duas mães ou dois pais, orientando que, nesses casos, apenas o antigo RG poderia ser feito. A justificativa teria sido um suposto erro nos campos de filiação da Receita Federal, apesar de o casal já ter agendamento específico para a nova identidade e saber que o documento é válido, inclusive, para viagens internacionais dentro do Mercosul.
O impasse se arrastou por cerca de duas horas e só foi resolvido após a intervenção de uma supervisora, que inicialmente também teria recebido orientação para não emitir o CIN em situações como aquela. No fim, o documento foi feito, o que levou Ingrid a questionar publicamente o motivo da recusa inicial. No vídeo que viralizou no Instagram e no TikTok, a influenciadora não hesita em nomear o episódio como homofobia e faz um alerta direto: a população LGBTQIAPN+ precisa estar atenta aos próprios direitos e reagir diante de qualquer tentativa de negá-los.
Em entrevista à revista Crescer, Ingrid afirmou que decidiu tornar o caso público meses depois, ao perceber que muitas pessoas ainda desconhecem seus direitos e enfrentam situações semelhantes. Para ela, mesmo que o ocorrido seja tratado como despreparo, isso revela a ausência de políticas claras de diversidade e inclusão nos treinamentos. Procurado, o Poupatempo lamentou o episódio, informou que entrou em contato com a família para se desculpar e reforçou que a emissão do CIN não sofre qualquer restrição relacionada à configuração familiar. O órgão também afirmou que os sistemas estão sendo atualizados para adotar os campos “Filiação 1” e “Filiação 2”, sem distinção de gênero, reiterando que o direito à identificação civil deve ser garantido a todas as crianças e famílias.



