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Ministro de assuntos religiosos da Malásia afirma que estresse no trabalho pode “tornar” pessoas gays

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O ministro de assuntos religiosos da Malásia, Zulkifli Hasan, virou alvo de duras críticas após declarar que o estresse relacionado ao trabalho estaria entre os fatores que poderiam “tornar” pessoas gays. A fala foi feita na terça-feira (27), ao responder a uma pergunta sobre tendências da comunidade LGBTQIAPN+ no país, e rapidamente repercutiu negativamente dentro e fora da Malásia.

Segundo o ministro, aspectos como ambiente social, experiências sexuais, estresse profissional e circunstâncias pessoais contribuiriam para que alguém adotasse um “estilo de vida LGBTQIAPN+”. Hasan ainda acrescentou que a “prática religiosa insuficiente” poderia influenciar esse processo e citou dados oficiais, afirmando que entre 2022 e 2025 foram registrados 135 casos envolvendo prisões ou processos relacionados a atividades LGBTQIAPN+. As declarações foram repercutidas pelo jornal Indian Express.

A reação de organizações de direitos humanos foi imediata. Thilaga Sulathireh, do grupo Justice for Sisters, classificou as falas como “desinformação”. Ao programa This Week in Asia, ela afirmou: “Essa desinformação reforça a suposição de que a orientação sexual e a identidade de gênero das pessoas LGBT podem ser corrigidas, alteradas ou não são reais ou tão válidas quanto as identidades heterossexuais cisgênero. O fato é que a diversidade na orientação sexual, identidade de gênero, expressão de gênero e características sexuais é completamente natural e normal. Isso foi comprovado por órgãos médicos e outras entidades. O ministro deve retratar-se e corrigir a desinformação.”

Nas redes sociais, usuários também criticaram duramente o discurso do ministro. Um deles escreveu: “A homofobia, assim como suas primas xenofobia, racismo, tribalismo e sexismo, são coisas tão idiotas. Como uma pessoa que se considera sã pode dizer uma besteira dessas? Que loucura.” As falas reacendem o debate sobre a repressão estatal à população LGBTQ+ na Malásia, onde a homossexualidade é criminalizada desde o século XIX, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão, além de multas, açoites e forte censura a conteúdos com temática LGBTQ+ nos meios de comunicação.