A região central do Rio de Janeiro acaba de ganhar um novo ponto de cuidado em saúde voltado à população LGBTQIA+. Fruto de uma parceria entre o Grupo Arco-Íris e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), foi inaugurado o Serviço Comunitário em HIV/Aids, iniciativa que chega para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao acompanhamento em um espaço fora da lógica tradicional das unidades de saúde. O lançamento, realizado no Dia Mundial de Luta contra a Aids, reforça o simbolismo de uma ação que nasce conectada à história da resposta comunitária ao HIV no Brasil.
Integrando o projeto “No Corre da Prevenção”, o serviço passa a funcionar na sede do Grupo Arco-Íris, na Rua da Carioca, nº 45, de segunda a sexta-feira, das 12h às 20h. A proposta é oferecer uma abordagem de saúde sexual mais próxima da realidade de quem muitas vezes evita serviços formais por medo de julgamento, preconceito ou experiências negativas anteriores. No novo polo, a ideia é que o cuidado aconteça em um ambiente acolhedor, sem burocracia excessiva e com escuta qualificada.
Para Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, a criação do serviço responde a uma lacuna histórica nas políticas públicas de saúde, que nem sempre conseguem alcançar quem mais precisa. Segundo ele, iniciativas comunitárias ajudam a reduzir a evasão de usuários e aproximam o SUS das vivências reais da população LGBTQIA+, especialmente de jovens em situação de vulnerabilidade. O dirigente também destaca o peso simbólico de colocar o projeto de pé justamente no Dia Mundial de Luta contra a Aids, como um gesto de memória, resistência e projeção de futuro.
A unidade oferece testagem rápida para HIV, sífilis, hepatites B e C, gonorreia e clamídia, além de acesso à prevenção combinada, com PrEP e PEP, acolhimento, orientações em saúde e encaminhamentos para a rede especializada quando necessário. O atendimento é gratuito e, na maior parte dos casos, não exige agendamento prévio. A expectativa é que o espaço se consolide como um ambiente seguro, livre de estigmas, e ajude a descentralizar o cuidado, reforçando o papel das organizações da sociedade civil na promoção da saúde e do bem-estar da comunidade LGBTQIA+.










