A Polícia Civil concluiu que a morte de Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos, foi motivada por homofobia e expôs um crime marcado por crueldade, planejamento e incentivo ao ódio. Em depoimento, um jovem de 19 anos e um adolescente de 17 confessaram ter participado do assassinato após receberem a promessa de armas e drogas em troca de “matar um viado”. A existência do grupo que teria feito a proposta ainda está sendo apurada e, segundo a polícia, pode revelar uma estrutura organizada de aliciamento para crimes de ódio.
Segundo o delegado Luis Mauro Sampaio, a vítima não era necessariamente um alvo definido desde o início. “A vítima não seria necessariamente o Kennedy, ele foi escolhido porque supostamente devia um dinheiro relacionado a drogas. Ainda investigaremos isso. Na ocasião, o jovem de 19 anos segurou Kennedy e o de 17 o esfaqueou”, explicou. O delegado também afirmou que os envolvidos já vinham planejando o crime e que a faca usada no ataque foi a mesma que Kennedy tentou pegar para se defender. “Eles já vinham planejando o crime há algum tempo e, na data do ocorrido, usaram a faca que Kennedy pegou para se defender para matá-lo”, disse.
O crime foi descoberto na manhã do dia 10 de fevereiro, após uma vizinha acionar a Polícia Militar ao notar manchas de sangue no corredor do prédio. À PM, a testemunha contou que, por volta das 2h30, ouviu gritos e barulhos intensos vindos do apartamento da vítima e, em seguida, percebeu pessoas deixando o local às pressas. Ao entrarem no imóvel, os policiais encontraram Kennedy caído em um dos quartos, já sem vida, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo. Próximo à vítima, foram localizadas duas facas e um celular, além de outra faca com manchas de sangue no corredor.
Com a conclusão da investigação, o suspeito de 19 anos foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de corrupção de menores — penas que, somadas, podem ultrapassar 28 anos de prisão. O adolescente teve o procedimento encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude e permanece apreendido. A Polícia Civil afirma que segue apurando quem está por trás da proposta criminosa. “A Polícia continuará com investigações para identificar esse grupo que fez a proposta para os dois envolvidos no crime”, reforçou o delegado.










