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Viagem, desejo e autoestima: homens gays se sentem mais atraentes quando estão de férias, afirma novo estudo

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Viajar sempre foi sinônimo de liberdade, descoberta e, para muita gente LGBTQIA+, também de novas possibilidades afetivas e sexuais. Agora, um estudo recente vem dar respaldo científico a uma sensação já bastante conhecida dentro da comunidade: a de que sair do próprio território pode transformar completamente a forma como somos percebidos e desejados. A pesquisa, publicada na edição de maio da revista acadêmica Annals of Tourism Research, aponta que homens gays tendem a se sentir mais atraentes quando estão de férias, especialmente em ambientes desconhecidos.

O levantamento ouviu 13 homens queers negros e pardos, com idades entre 24 e 40 anos, todos residentes em Londres, e analisou suas experiências em aplicativos de pegação durante viagens internacionais, com foco especial no Grindr. Diferente de muitos estudos que ainda privilegiam recortes centrados em homens brancos cisgêneros, a pesquisa apostou na interseccionalidade para entender como raça, desejo e cultura digital se entrelaçam nas dinâmicas contemporâneas de encontros.

Os resultados revelam uma mudança significativa na forma como esses homens são percebidos fora de seus contextos habituais. Em seus países de origem, muitos relataram experiências marcadas por exclusão, racismo e padrões restritivos de beleza nos aplicativos. Já durante as viagens, o cenário muda: ser “novo na cidade” parece funcionar como um diferencial poderoso, despertando mais interesse, curiosidade e abertura por parte de outros usuários. Em muitos casos, isso se traduziu em mais matches, conversas e convites para encontros.

Segundo o estudo, o turismo cria uma espécie de “reset” simbólico nos chamados “mercados sexuais”, permitindo que esses homens escapem de dinâmicas opressivas e tenham sua atratividade reavaliada em novos contextos culturais. Para homens negros e pardos, em especial, essa mudança pode ser profundamente impactante, não apenas no campo do desejo, mas também na autoestima. No fim das contas, os dados reforçam algo que muita gente já sentia na pele: viajar pode ser mais do que lazer, pode ser também um ato de afirmação, redescoberta e prazer.