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Parada do Orgulho LGBT+ de SP sofre queda de 60% no patrocínio em meio a onda antidiversidade

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A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, considerada a maior do mundo, enfrenta um cenário desafiador em 2026. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o presidente da Associação do evento, Nelson Matias, revelou que o patrocínio privado sofreu uma queda expressiva de 60% em relação ao ano anterior. A retração é atribuída, principalmente, à saída de multinacionais que historicamente apoiavam a celebração, em um movimento que, segundo ele, acompanha mudanças no cenário político internacional.

De acordo com Matias, a intensificação de políticas consideradas antidiversidade durante o governo de Donald Trump, em 2025, impactou diretamente o comportamento de grandes empresas globais. Ele explica que, ao longo dos últimos anos, verbas destinadas especificamente ao “pride” foram sendo absorvidas por iniciativas mais amplas de ESG (Ambiental, Social e Governança), o que diluiu o investimento direto em eventos LGBTQIA+. “Já vinha diminuindo, o que antes era verba ‘pride’ se tornou verba ESG. Para a Parada, o que a gente sempre pediu era que nos fosse destinada a verba de marketing, e não apenas a de diversidade, porque o evento é um ativo econômico”, afirmou.

Apesar do cenário adverso, algumas marcas mantiveram seu compromisso com a causa. Empresas como Amstel e Philip Morris Brasil seguem como patrocinadoras da edição de 2026. Já o poder público também marca presença: a Prefeitura de São Paulo investiu cerca de R$ 6 milhões em infraestrutura para o evento. O aporte se justifica pelo impacto econômico significativo da Parada, que, segundo estimativa da Associação Comercial de São Paulo, movimentou mais de R$ 548,5 milhões na cidade em 2025. “Além de manifestação, é uma festa. É um investimento estratégico, não caridade”, reforça Matias.

Mesmo com essa relevância, a redução de recursos terá efeitos visíveis. A edição que celebra os 30 anos da Parada, marcada para o dia 7 de junho na Avenida Paulista, contará com uma estrutura menor, incluindo seis trios elétricos a menos em comparação aos anos de maior investimento. Diante da escassez de patrocínio, a organização buscou apoio junto a deputados estaduais, mas recebeu retorno limitado. Como alternativa, Matias defende a criação de um fundo público permanente, que ajude a garantir a realização do evento e fortaleça políticas de proteção à população LGBTQIA+. Neste ano, com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, a Parada também aposta na mobilização política e na importância da participação eleitoral.