O que já era um episódio de violência extrema se transformou em uma nova fonte de sofrimento para o professor Rick Akira, de 29 anos. Após afirmar ter sido vítima de um ataque homofóbico enquanto seguia para o trabalho no Metrô de São Paulo, ele diz ter enfrentado uma verdadeira maratona de descaso ao buscar atendimento médico e registrar a ocorrência. Segundo o educador, além de o crime não ter sido enquadrado como homofobia, ele ainda apareceu no boletim de ocorrência como vítima e autor da agressão.
O ataque aconteceu por volta das 7h45 da manhã do último sábado (11), na Linha 5-Lilás do metrô paulistano. No relato, o professor conta que foi surpreendido por um homem que o atacou pelas costas e desferiu diversos socos em sua cabeça. “Eu nem reagi, eu só fui espancado. O cara veio por trás”, disse. Ao procurar a polícia, porém, recebeu outra surpresa: o boletim de ocorrência o registrou tanto como vítima quanto como autor da agressão, já que o agressor machucou a mão durante os golpes. “Meu caso nem foi registrado como crime de homofobia, foi só como crime de agressão física, no qual eu tô registrado como vítima e autor”, criticou. Para Rick, o tratamento recebido durante o registro da ocorrência evidencia a dificuldade enfrentada por pessoas LGBTQIA+ que buscam responsabilizar seus agressores.
O professor também denunciou falhas no atendimento médico recebido após o ataque. Segundo ele, passou horas entre dois hospitais e pelo Instituto Médico Legal (IML), mas lesões importantes não foram identificadas inicialmente. “No dia do ocorrido, eu fiquei horas em dois hospitais diferentes pra depois o médico falar que tá tudo certo. No dia seguinte, eu precisei ir pra um outro hospital, porque estava morrendo de dor, e descobri que estava com tímpano perfurado e uma fratura”, contou. Rick afirma que o primeiro laudo foi feito de forma apressada e que seu estado de choque dificultou até mesmo relatar tudo o que havia acontecido. “Você tá tonto pela pancada na cabeça, anestesiado pela adrenalina, em um estado emocional doido. Você não tem condições pra passar informações fiéis para o médico e pro legista, que estão com pressa, não são acolhedores”, desabafou.
Ao longo do vídeo, Rick também chamou atenção para o desgaste emocional, burocrático e financeiro enfrentado por vítimas de crimes motivados por preconceito. Segundo ele, registrar um boletim de ocorrência está longe de ser suficiente para que haja responsabilização. “Pra acontecer alguma coisa mesmo, investigação e tudo mais, tem que seguir procedimentos que você nem entende. E, obviamente, precisa de advogado. É caro. Muita gente não tem condição. Eu não tenho condição”, afirmou. Apesar das dificuldades, o professor garantiu que pretende levar o caso adiante, mas pediu mais empatia com quem passa por situações semelhantes. “Eu não tenho intenção nenhuma de deixar passar. Mas eu entendo completamente pessoas que apenas querem deixar quieto e tentar retomar a vida delas e tentar se reerguer. Porque é pesado. E tem gente que nem uma rede de apoio tem. Não é tão simples assim as coisas.”
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