O Grindr quer ir muito além de conectar usuários para encontros. A plataforma agora aposta na inteligência artificial como peça central de sua estratégia para os próximos anos. Em entrevista ao The New York Times, o CEO da empresa, George Arison, afirmou que pretende posicionar o aplicativo entre os pioneiros da chamada revolução da IA, tornando-o um espaço onde as pessoas possam experimentar recursos desenvolvidos desde o início com essa tecnologia.
“Podemos moldar a revolução da IA e ser um dos primeiros lugares onde as pessoas experimentam produtos que já nascem em modo de IA”, declarou o executivo ao jornal. A ambição, no entanto, chama atenção por surgir em um momento em que muitos usuários ainda criticam o Grindr por problemas recorrentes na experiência do aplicativo, como limitações da versão gratuita, o uso do aplicativo por quadrilhas e extorquistas, excesso de anúncios e dificuldades para encontrar aquilo que sempre foi sua principal proposta: facilitar encontros casuais.
Segundo Arison, a ideia é transformar o Grindr em uma plataforma de estilo de vida voltada para o público LGBTQIA+. Entre os projetos está o Woodwork, um portal de saúde onde usuários poderão adquirir medicamentos para disfunção erétil e também tratamentos à base de GLP-1, classe de medicamentos utilizada no controle do diabetes e amplamente conhecida por seu uso no emagrecimento. O CEO argumenta que, por ser uma empresa de capital aberto, o Grindr precisa diversificar suas fontes de receita. Hoje, a plataforma já oferece planos premium que chegam a cerca de R$ 1.900 por mês na conversão direta, além de manter uma versão gratuita frequentemente criticada por suas limitações.
A inteligência artificial também deve desempenhar um papel importante na operação interna da empresa. Arison sugeriu que a tecnologia poderá reduzir a necessidade de novas contratações, graças aos ganhos de produtividade proporcionados pelas ferramentas de IA. “Acho que podemos ser ainda mais enxutos com o passar do tempo. Não acho que vou demitir ninguém, mas talvez não contratemos tantas pessoas quanto contrataríamos normalmente”, afirmou. Questionado sobre como convenceu seus funcionários a adotarem a tecnologia, ele foi direto: “Eu simplesmente impus”.










