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Documentário sobre a lendária Boate 1140 busca apoio para preservar um dos capítulos mais importantes da memória LGBTQ+ do Rio

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A história de um dos espaços mais emblemáticos da comunidade LGBTQIAPN+ carioca corre o risco de permanecer apenas na memória de quem a viveu. Embora já tenha sido aprovado pela Lei Rouanet, o documentário “Casa 1140” ainda enfrenta dificuldades para captar recursos e concluir sua produção.

Idealizado e dirigido por Caesar Moura, o filme resgata a trajetória da lendária Boate 1140, que funcionou entre 1986 e 2019, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Durante mais de três décadas, a casa se tornou referência para milhares de pessoas LGBTQIAPN+, oferecendo acolhimento, pertencimento e liberdade em uma época marcada pela discriminação e pela violência.

Segundo os realizadores, o projeto já está apto a receber investimentos por meio da Lei Rouanet, mas a captação tem encontrado resistência. De acordo com Caesar Moura, alguns patrocinadores que demonstraram interesse acabaram recuando, e empresas consultadas têm demonstrado cautela em associar suas marcas ao documentário.

Para o diretor, parte dessa dificuldade está relacionada ao fato de o filme retratar uma casa LGBTQIAPN+ localizada em uma região que hoje enfrenta disputas envolvendo o crime organizado, além do atual cenário político e eleitoral. Apesar disso, ele reforça que o objetivo da produção é preservar um patrimônio afetivo e cultural da cidade.

“Meu olhar sobre a 1140 é mais que acadêmico ou antropológico, mas afetivo. Ela faz parte da minha história pessoal. Foi lá que me senti acolhido pela primeira vez em um espaço LGBTQIAPN+. Me entristece perceber que uma história tão importante tenha tão poucos registros. ‘Casa 1140’ nasce justamente para preservar essa memória.”

Mais do que contar a trajetória de uma casa noturna, “Casa 1140” pretende registrar um capítulo da história LGBTQIAPN+ do Rio de Janeiro por meio de entrevistas, fotografias, materiais de arquivo e recriações visuais. O documentário também aborda temas como o período pós-ditadura, a epidemia de HIV/AIDS, as conquistas de direitos e as transformações vividas pela comunidade nas últimas décadas.

Com lançamento previsto para 2027, o projeto segue em busca de patrocinadores que viabilizem sua conclusão. Para os realizadores, preservar a história da Boate 1140 significa também preservar parte da memória da população LGBTQIAPN+ brasileira.

A equipe responsável pelo documentário afirma estar aberta ao diálogo com empresas e instituições interessadas em apoiar a produção, considerada um registro inédito de um espaço que marcou gerações e ajudou a escrever a história da diversidade no Rio de Janeiro.