Home Destaque Em nome da fé, pastor mostra prateleiras vazias de banco de alimentos...

Em nome da fé, pastor mostra prateleiras vazias de banco de alimentos após rejeitar doações de aliados LGBTQ+: “Me recuso”

8

Um banco de alimentos que atendia milhares de famílias na região de Bluefield, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, enfrenta uma grave escassez de mantimentos após seu responsável decidir romper relações com fornecedores ligados à rede nacional Feeding America. A decisão partiu do pastor Alvin Christian, líder do God’s Store House, que afirmou ter recusado o apoio por considerar que as organizações envolvidas mantêm vínculos com iniciativas favoráveis aos direitos da população LGBTQIA+.

Em uma transmissão ao vivo no Facebook, posteriormente apagada, Christian explicou que investigou possíveis parcerias das entidades responsáveis pelo abastecimento do banco de alimentos antes de interromper a colaboração. Segundo ele, ao descobrir que essas organizações apoiavam a comunidade LGBTQIA+, decidiu não aceitar mais qualquer assistência. “Para manter minha fé em Deus, recuso-me a receber comida de qualquer pessoa que esteja ligada a isso”, declarou o pastor, acrescentando que não faria parte do que chamou de “movimento pelos direitos dos gays”.

Pouco depois, o próprio líder religioso divulgou um novo vídeo exibindo a situação crítica do local. Nas imagens, prateleiras, congeladores e o depósito aparecem completamente vazios. Antes da decisão, o God’s Store House era considerado um dos principais pontos de assistência alimentar da região, atendendo mais de 800 famílias por dia e cerca de 8 mil famílias diferentes por mês em quatro condados dos estados da Virgínia Ocidental e da Virgínia. Apesar de afirmar posteriormente que não recusaria doações diretamente, Christian disse que pretende evitar qualquer fornecedor cujo dinheiro, segundo ele, possa beneficiar organizações que apoiem pessoas LGBTQIA+.

A justificativa, no entanto, foi contestada por diversos veículos americanos. Isso porque a Feeding America não comercializa alimentos para bancos assistenciais, mas atua como uma rede sem fins lucrativos que conecta e distribui doações entre cerca de 200 bancos de alimentos em todo o país. Embora o pastor insista que continuará atendendo qualquer pessoa necessitada e afirme que “não discriminará ninguém”, a consequência prática de sua decisão já é evidente: o banco de alimentos permanece sem estoque enquanto ele busca novos fornecedores e pede orações para que, segundo suas palavras, “Deus abra outra porta”.