Mais de 20 anos após interpretar o peão Zeca em América (2005), Erom Cordeiro voltou a falar sobre os desafios de viver um personagem gay em um período em que assumir publicamente a própria orientação sexual ainda podia representar um risco para atores da televisão. Em entrevista à revista Quem, o artista de 49 anos relembrou que, apesar de sua sexualidade ser tratada com naturalidade em sua vida pessoal, a pressão da mídia e do mercado o levava a agir de outra forma. “Dentro dos meus círculos, era muito natural [a questão da sexualidade], mas é claro que para a imprensa e para um grande público, não. Então existia, sim, essa curiosidade”, afirmou.
Erom contou que, naquela época, sentia a necessidade de corresponder ao padrão esperado pela indústria televisiva. “Acho que tentando performar essa heterossexualidade para o mainstreaming, eu tentava dar respostas meio misteriosas. Hoje em dia, tô cagando e andando, então é muito mais tranquilo”, declarou. O ator também acredita que, se tivesse falado abertamente sobre sua sexualidade naquele momento, isso poderia ter prejudicado sua trajetória na TV. “Na televisão, com certeza [perderia papéis]. No teatro e no cinema, acho que não. Hoje em dia tem o streaming também, então houve uma mudança”, avaliou.
Na trama de Gloria Perez, Zeca vivia um relacionamento com Júnior, personagem de Bruno Gagliasso. O romance entrou para a história por causa da expectativa em torno do que seria o primeiro beijo entre dois homens em uma novela do horário nobre da Globo. A cena, no entanto, acabou sendo cortada do capítulo final, frustrando o elenco e o público. Apesar das preocupações da época, Erom afirma que nunca deixou de trabalhar. “Teve um período que eu fiz muita novela, uma atrás da outra, depois eu caí no streaming e cinema. Eu fiz muita coisa no teatro também, nunca parei de fazer. E tenho feito muita coisa no Globoplay. Hoje, tenho muitos trabalhos, mas na época minha sexualidade poderia afetar isso, sim”, destacou.
Fora das telas, o ator vive um relacionamento de dez anos com o também ator Rodrigo Bolzan. Os dois moram juntos em São Paulo há cerca de três anos e, segundo Erom, o fato de compartilharem a mesma profissão fortalece a parceria. “Existe uma dinâmica que já é muito bem absorvida dentro do relacionamento”, explicou. “As agendas às vezes não batem, então a gente super compreende. É mais fácil, de uma certa forma, porque a gente compreende o universo do outro”, completou.










