Um casal de pessoas trans afirma ter sido brutalmente agredido por uma multidão após usar um banheiro público na Louisiana, nos Estados Unidos. Aurora Rush e Shae Sanders relatam que foram cercadas por cerca de dez pessoas ao deixarem o Parque Cypress Black Bayou, na paróquia de Bossier, em 31 de maio. Nos EUA, “paróquia” é o termo usado na Louisiana para designar uma divisão administrativa equivalente a um condado em outros estados. Segundo o casal, o grupo passou a proferir ofensas transfóbicas, fazer ameaças e partir para a violência física. O episódio aconteceu depois de utilizaram o banheiro feminino do local.
Em entrevista ao programa “Erin In The Morning”, publicada em 5 de agosto, Sanders contou que chegou a ser nocauteada durante a agressão e precisou levar quatro pontos acima de um dos olhos. Rush, por sua vez, sofreu uma concussão e outros ferimentos. Apesar da violência relatada, o casal acabaou sendo detido e denunciados pelas autoridades. Sanders responde por perturbação da paz, enquanto Rush foi acusada de agressão e uso de linguagem ofensiva. O programa afirmou não ter encontrado registros de outras prisões relacionadas ao episódio naquele dia.
O casal sustenta que não reagiu às agressões e decidiu recusar um acordo judicial, na intenção de levar o caso até o fim nos tribunais. A próxima audiência está prevista para agosto. Rush também denunciou o tratamento recebido após ser detida: segundo ela, foi encaminhada para uma prisão masculina, apesar de sua carteira de motorista indicar o gênero feminino, além de ter sido revistada por um policial homem e inicialmente registrada com um nome incorreto. O advogado que representa o casal defende que o ataque seja investigado e enquadrado como crime de ódio.
O caso ganhou ainda mais repercussão diante de uma mudança aprovada posteriormente pelas autoridades locais. Em 15 de julho, semanas após a agressão, a Paróquia de Bossier aprovou por unanimidade uma proposta que estabelece regras extremamente rígidas para o acesso de pessoas trans a banheiros e outras instalações separadas por gênero. A medida prevê que funcionários públicos possam retirar pessoas de determinados espaços caso seu sexo seja questionado e estabelece até um ano de prisão para quem se recusar a deixar o local.




