A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma mudança na política de elegibilidade da categoria feminina que pode alterar os rumos da carreira de Tifanny Abreu, uma das principais atletas trans do esporte brasileiro. A decisão, divulgada na sexta-feira (14/8), determina que a entidade passará a seguir os critérios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), restringindo a participação na categoria feminina a atletas consideradas elegíveis de acordo com o sexo biológico. Tifanny defende o Osasco São Cristóvão Saúde desde 2021 e se tornou um dos nomes mais conhecidos na discussão sobre a presença de pessoas trans no esporte.
Para verificar a elegibilidade, a nova política prevê uma triagem genética para identificar a presença do gene SRY, associado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas. A regulamentação, porém, estabelece exceções para casos específicos de diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), nos quais a presença do gene não determina, por si só, a inelegibilidade. Nessas situações, cada caso pode ser analisado individualmente a partir de critérios médicos previstos pela política do COI. A CBV afirma que a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar, mas a atleta que não comprovar sua elegibilidade ficará impedida de participar das competições abrangidas pela nova regra.
Os novos critérios serão aplicados gradualmente às principais competições organizadas ou reconhecidas pela entidade, incluindo a Superliga A e B da temporada 2026/27, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027 e torneios do vôlei de praia a partir de 2027. A mudança representa uma guinada em relação à postura adotada anteriormente pela própria CBV, que, em 2017, havia implementado uma regulamentação específica para atletas trans baseada em critérios técnicos e médicos. O cenário internacional começou a se transformar em setembro de 2025, quando a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) passou a exigir a triagem do gene SRY, movimento seguido pela nova política do COI anunciada em março deste ano.
Tifanny reagiu à decisão nas redes sociais e afirmou que pretende contestá-la. Para a jogadora, a medida ameaça não apenas sua profissão, mas também anos de trajetória construída dentro das quadras. A atleta classificou a mudança como um retrocesso na luta pela inclusão de pessoas trans no esporte e afirmou que irá buscar todas as medidas possíveis para permanecer competindo. A decisão também provocou manifestações de apoio entre nomes de destaque do vôlei brasileiro. Gabi Guimarães, capitã da Seleção Brasileira, declarou publicamente seu “respeito, carinho e apoio” à jogadora e criticou a forma como o caso vem sendo tratado. Bicampeã olímpica, Sheilla Castro também se posicionou em defesa de Tifanny e destacou a importância de enxergar a pessoa por trás da atleta em meio à repercussão do caso.
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