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Grindr está prestes a ficar ainda mais caro: app prepara assinatura de luxo para usuários dispostos a pagar mais por encontros

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O Grindr parece ter encontrado uma nova forma de transformar a vida amorosa — e o desejo — em produto premium. A plataforma de encontros entre homens está preparando o lançamento de um serviço de assinatura de luxo voltado a usuários com alto poder aquisitivo, dispostos a pagar caro para economizar tempo e ter uma experiência mais exclusiva dentro do aplicativo. A novidade foi revelada pelo CEO da empresa, George Arison, ao Financial Times, e faz parte de um ambicioso projeto de transformar o Grindr em uma espécie de “bairro gay global”.

Ainda sem nome ou preço definidos, o novo serviço é descrito por Arison como um “clube social para o homem gay moderno” e representa mais um passo na estratégia da companhia de ampliar suas fontes de receita para além dos tradicionais encontros e conexões. Nos últimos anos, o Grindr já criou diferentes níveis de assinatura e passou a restringir recursos para quem utiliza a versão gratuita, como a visualização de curtidas e determinados perfis. A empresa também investiu no Woodwork, serviço de saúde que oferece tratamentos como medicamentos para disfunção erétil, GLP-1 e terapias com peptídeos. Em 2025, a plataforma chegou a promover uma festa em uma mansão avaliada em US$ 9 milhões (cerca de R$ 48,3 milhões) em Georgetown, em Washington, D.C.

A escalada de preços acompanha o crescimento da própria plataforma. Segundo o Financial Times, o Grindr passou de aproximadamente 5 milhões de usuários ativos mensais em 2019 para cerca de 15 milhões atualmente, enquanto concorrentes como Tinder, Hinge e Bumble registraram quedas. A empresa, no entanto, ainda converte uma parcela relativamente pequena de sua enorme base em assinantes: são cerca de 1,4 milhão de usuários pagantes por mês. Nesse cenário, a inteligência artificial também virou uma das principais apostas de Arison. O Edge, lançado inicialmente em cidades selecionadas, custa até US$ 350 mensais — aproximadamente R$ 1.900 — e utiliza a chamada “gAI™” para resumir conversas, sugerir perfis e indicar possíveis combinações. Para o executivo, porém, esse valor ainda estaria longe do limite que alguns usuários aceitariam pagar por serviços relacionados a relacionamentos.

A estratégia tem agradado aos investidores, com as ações do Grindr valorizando cerca de um terço nos últimos seis meses e a companhia projetando uma receita de pelo menos US$ 540 milhões em 2026, quase 25% acima do registrado em 2025. Mas existe uma questão que nenhum algoritmo ou plano de assinatura parece capaz de resolver: no Grindr, a moeda mais valiosa continua sendo a atração. A lógica dos serviços premium depende de haver perfis desejados do outro lado do paywall — e de que tornar a experiência mais sofisticada não transforme justamente o encontro em algo excessivamente planejado e distante da espontaneidade que tornou o aplicativo tão popular. No fim das contas, o “clube gay de luxo” pode custar milhares de dólares por ano, mas uma coisa continuará sem preço: sair do sofá e tentar conseguir um encontro.