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RJ: cinco homens ligados a grupo de ideologia neonazista são presos suspeitos de esfaquear mulher trans em Teresópolis

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Uma mulher trans foi esfaqueada duas vezes pelas costas durante uma roda de slam, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, na última sexta-feira (28). Segundo a Polícia Civil, cinco homens, que se autodeclaram integrantes de um grupo de ideologia neonazista, foram presos em flagrante suspeitos de envolvimento no ataque. A agressão aconteceu na praça do bairro de Fátima, onde participantes estavam reunidos para uma batalha de poesias faladas. Imagens registradas no local mostram o início da confusão, após um dos suspeitos cuspir em direção aos presentes, seguido por uma discussão que terminou com a vítima sendo atacada.

Roque Marciano, de 32 anos, foi atingida na região do ombro e da costela, e uma das facadas perfurou seu pulmão. Integrante de um coletivo sociocultural, ela organiza o slam há cerca de quatro anos. Após permanecer internada no Hospital das Clínicas, Roque recebeu alta na tarde desta segunda-feira (31) e falou sobre o episódio. Para ela, o ataque evidencia a gravidade de uma situação que, segundo relata, já era conhecida pelas autoridades. “É de conhecimento das autoridades que eles estão circulando e fazendo ações há muito tempo. Tiveram algumas denúncias e é lamentável que eu tenha tido que levar duas facadas para que tenha acontecido alguma medida”, afirmou ao g1.

De acordo com a investigação, os cinco suspeitos são Paulo Ricardo do Vale Almeida, Daniel Portela Esteves, Matheus Maia Lopes de Souza, Wesley de Souza Pimentel e Emanuel Moura Cordeiro Boaventura. A polícia aponta Emanuel como o responsável por desferir as facadas contra Roque. Os homens, com idades entre 18 e 23 anos, foram localizados nas proximidades da Feirarte, no bairro Alto. Com Emanuel, os agentes encontraram uma faca preta com manchas de sangue, além de registrarem a presença de sangue em suas mãos. Outra faca teria sido localizada com Wesley, que também estava com uma balaclava e um par de luvas.

A Polícia Civil afirma que o grupo vinha sendo monitorado havia cerca de dois anos após denúncias relacionadas à disseminação de discursos de ódio e conteúdos transfóbicos. Para os investigadores, os cinco agiram em conjunto e a identidade da vítima como mulher trans teria relação com a motivação do crime. Os suspeitos tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia e responderão por tentativa de feminicídio. “Nós entendemos que era um caso de tentativa de feminicídio e autuamos os cinco em flagrante delito”, declarou o delegado Marcio Dubugras, titular da 110ª DP. Segundo ele, a pena pode chegar a 40 anos de prisão. Os cinco estão custodiados no Presídio José Frederico Marques, em Benfica.