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Adolescente que estrangulou produtor de conteúdo adulto em hotel de João Pessoa é condenado a até 3 anos de internação

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O adolescente apontado como responsável pela morte do produtor de conteúdo adulto e motorista autônomo Washington Rodrigo, de 33 anos, foi sentenciado pela Justiça da Paraíba a cumprir medida socioeducativa de internação por até três anos. A decisão, proferida pelo juiz Luiz Eduardo Souto, reconheceu a prática de ato infracional análogo a homicídio qualificado. O crime aconteceu em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, na madrugada de 24 de julho. A internação deverá ser reavaliada a cada seis meses, o que significa que o adolescente permanecerá, inicialmente, pelo menos seis meses em uma unidade socioeducativa.

Na sentença, a Justiça considerou três qualificadoras relacionadas à dinâmica do assassinato: motivo fútil, associado à discussão sobre pagamento e ao temor do adolescente de ter sua vida privada exposta; emprego de meio cruel, diante do estrangulamento e da asfixia; e recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Washington teria sido imobilizado e atacado sem possibilidade de reação. Segundo a investigação, o adolescente utilizou o cabo de um secador de cabelo para estrangular o produtor. O IML confirmou que a causa da morte foi asfixia e apontou ainda sinais de tortura no corpo. Após o crime, o adolescente teria tentado deixar o hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu e fugiu sozinho.

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente, natural do Rio Grande do Norte, chegou a João Pessoa em 23 de julho e, no mesmo dia, entrou em um site de relacionamento, onde encontrou o anúncio de Washington e iniciou contato. A conversa teria continuado por um aplicativo de mensagens, até que os dois marcaram o encontro para o dia seguinte. Para entrar no hotel, o adolescente apresentou um documento falso. Segundo a versão apresentada por ele à polícia e posteriormente relatada pela defesa, teria agido após suspeitar que Washington havia registrado imagens do momento íntimo entre os dois e temer que sua orientação sexual fosse exposta. Ainda conforme o relato policial, ele teria usado uma pistola de airsoft para obrigar a vítima a entregar o celular e fornecesse a senha. Uma algema e a arma de airsoft foram posteriormente apreendidas pela investigação.

Washington havia informado à família que faria uma corrida até Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer. O corpo foi encontrado no quarto do hotel por uma funcionária. O adolescente confessou o homicídio, segundo a defesa, e foi apreendido em 28 de julho, quando se apresentou à Polícia Civil em Caicó (RN), sendo posteriormente transferido para João Pessoa. Ele já havia passado por audiência de instrução em 31 de agosto antes da sentença. Em nota ao g1, o advogado Ariolan Fernandes afirmou que respeita a decisão, mas considera que a medida deve ser reavaliada diante do histórico de acompanhamento psicossocial do adolescente e dos princípios de proporcionalidade e individualização da resposta socioeducativa. Durante a investigação, a Polícia Civil também informou que o adolescente acumulava pelo menos 17 boletins de ocorrência no Rio Grande do Norte e já havia passado por internação em unidade destinada a adolescentes em conflito com a lei.