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Prefeito de Cuiabá faz retratação pública à Erika Hilton em acordo para encerrar processo: “Inadequado e desrespeitoso”

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou nesta segunda-feira (28) um pedido público de desculpas à deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) por uma fala atribuída a ele durante a CPMI que investigou os ataques de 8 de Janeiro. A retratação foi divulgada nas redes sociais e integra as condições de uma transação penal proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Na publicação, o prefeito reconheceu que teve uma conduta “inadequada e desrespeitosa” durante o episódio.

O caso aconteceu em 11 de julho de 2023, quando Abilio ainda era deputado federal e participava da comissão como suplente. Durante uma discussão, Erika criticou sua postura nos trabalhos da CPMI e afirmou que ele deveria procurar “tratar sua carência em outro espaço”. Segundo parlamentares que estavam próximos, o então deputado respondeu, com o microfone desligado: “Por que, tá precisando de serviço?”. A frase não foi captada pelo sistema oficial de áudio, mas foi atribuída a Abilio por pessoas que presenciaram a cena e, à época, interpretada como uma insinuação relacionada à prostituição.

A declaração provocou reação entre integrantes da comissão. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) acusou Abilio de fazer uma manifestação homofóbica e pediu que ele fosse retirado do plenário, enquanto a presidência da CPMI determinou que a Polícia Legislativa apurasse o episódio. Erika afirmou que a fala era preconceituosa e discriminatória e que reforçava estigmas historicamente associados às mulheres trans. Na ocasião, Abilio negou ter feito uma ofensa homofóbica ou transfóbica e sustentou que apenas havia reagido às provocações durante a sessão, além de questionar a autenticidade de vídeos divulgados sobre o caso.

O episódio teve desdobramentos tanto no Congresso quanto na Justiça. Uma representação apresentada contra Abilio no Conselho de Ética da Câmara acabou arquivada, mas a PGR apresentou, em dezembro de 2024, denúncia contra o então parlamentar ao STF por injúria, tendo como base a fala atribuída a ele durante a CPMI. O processo foi distribuído à ministra Cármen Lúcia. Agora, ao publicar a retratação, Abilio afirma cumprir uma das condições estabelecidas na transação penal oferecida pela PGR para o encerramento do caso.