Um homem de 39 anos foi condenado na Namíbia após ser considerado culpado de matar a própria namorada e tentar assassinar a filha bebê do casal. Johannes Claasen foi responsabilizado por homicídio, tentativa de homicídio e agressão com intenção de causar lesões corporais graves em decisão proferida pelo Tribunal Superior da Namíbia, em Windhoek. O caso ganhou repercussão após o réu afirmar que teria sido levado a cometer os ataques por supostos “fantasmas gays”.
Segundo Claasen, os acontecimentos ocorreram nas primeiras horas do Natal de 2020, quando dois homens teriam aparecido ao lado dele na cama. O homem afirmou que os supostos espíritos eram gays e que um deles teria feito uma proposta sexual. Ele alegou que tentou se defender e, posteriormente, “recobrou a consciência” já segurando uma faca, percebendo que havia esfaqueado sua companheira, Rolinda Lamberth, de 28 anos, e a filha do casal, então com 11 meses. O bebê sobreviveu ao ataque, enquanto os supostos “fantasmas” teriam desaparecido, de acordo com sua versão.
A defesa tentou sustentar que Claasen sofria de distúrbio comportamental do sono REM, condição que pode levar uma pessoa a representar fisicamente os próprios sonhos durante o sono. Um psiquiatra afirmou que o transtorno poderia explicar os movimentos violentos e defendeu que o réu não teria plena responsabilidade pelos ataques. A juíza Dinnah Usiku, no entanto, demonstrou dúvidas sobre a avaliação e considerou principalmente o depoimento da filha mais velha de Claasen, que tinha sete anos na época. A criança afirmou ter visto o pai pegar uma faca e colocá-la sob o travesseiro antes do ataque, além de relatar que já havia presenciado episódios de violência contra Lamberth.
O tribunal também ouviu testemunhas que descreveram um histórico de ameaças e agressões físicas no relacionamento, incluindo um episódio em que Claasen teria perseguido Lamberth com uma faca e outro em que a deixou com um olho inchado. Avaliações realizadas antes do julgamento ainda apontaram que ele tinha condições de ser julgado e poderia ser responsabilizado pelos próprios atos. A sentença será definida após uma audiência marcada para 21 de outubro.
A estratégia dos “fantasmas gays” também remete à chamada “defesa de pânico gay”, argumento utilizado em alguns casos para tentar justificar reações violentas diante de uma suposta ou real investida de uma pessoa LGBTQIA+, prática amplamente criticada por deslocar a responsabilidade da violência para as próprias vítimas.







