Home Destaque Heteronormatividade?! Homem bi diz que homens são para “diversão” e que mulheres,...

Heteronormatividade?! Homem bi diz que homens são para “diversão” e que mulheres, sim, são para formar família

9

Uma entrevista com um homem bissexual, de 25 anos, vem chamando atenção nas redes sociais ao expor a forma como ele enxerga seus relacionamentos com homens e mulheres. Abordado na rua e questionado sobre sua orientação sexual, ele afirmou ser bissexual e contou que, embora sinta atração pelos dois gêneros, possui uma preferência maior por mulheres. Ao explicar seu gosto por homens, disse se interessar especificamente por aqueles com características mais femininas.

Segundo o rapaz, seu “tipo” entre os homens seria o chamado “twink”, definido por ele como alguém “mais magrinho, sem barba” e “um pouco afeminado”. Já em relação às mulheres, afirmou ser “bem liberal” e gostar de diferentes perfis. A preferência por determinadas características físicas ou comportamentais, por si só, faz parte da sexualidade de cada pessoa. A fala, porém, chama atenção pela associação entre feminilidade e os homens pelos quais ele sente atração, criando uma espécie de contraponto entre a masculinidade esperada de um homem e aquilo que desperta seu interesse.

A principal controvérsia surge quando o entrevistado diferencia o papel que homens e mulheres ocupam em sua vida afetiva. “Homem eu prefiro mais só ficar, tá ligado? Me divertir”, declarou. Em seguida, afirmou que gostaria de ter com uma mulher “algo mais sério”, incluindo casamento, filhos e a construção de uma família. O rapaz ainda disse que essas seriam “coisas que não dá fazer com homem”, colocando os relacionamentos entre dois homens exclusivamente no campo da diversão e tratando a relação heterossexual como caminho para compromisso e projeto de vida.

Embora ele tenha todo o direito de não se imaginar em um relacionamento ou em uma família com outro homem, a declaração levanta uma discussão sobre os estereótipos associados à bissexualidade e às relações homoafetivas. A fala reproduz uma divisão na qual homens aparecem como possibilidade de desejo sexual, enquanto mulheres são associadas ao amor, à estabilidade e à família — além de sugerir que dois homens não poderiam construir esse mesmo projeto juntos. A entrevista, portanto, acaba expondo não apenas uma preferência individual, mas também como expectativas heteronormativas podem atravessar a maneira como pessoas enxergam seus próprios desejos e possibilidades afetivas.