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Marina Lima relembra amizade com Renato Russo e revela história por trás do hit “Ainda é Cedo”: “Ele era único, original”

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A cantora Marina Lima relembrou a relação de amizade que construiu com Renato Russo, vocalista da Legião Urbana, e revelou uma curiosidade sobre um dos sucessos de sua carreira. Em 1986, a artista lançou sua versão de “Ainda é Cedo”, que se tornaria um dos destaques de seu repertório, sem saber que a composição era assinada pelo músico. A história foi compartilhada em entrevista à série especial do Retratos da Vida, do jornal Extra, dedicada à memória do artista.

Segundo Marina, a decisão de gravar a canção aconteceu depois de assistir a uma apresentação de Kiko Zambianchi no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Encantada com a música, ela decidiu incluí-la em seu disco ao vivo, sem conhecer sua autoria. “Eu gravei ‘Ainda é Cedo’ porque eu vi o Kiko Zambianchi cantando essa música em um show no Morro da Urca. Não sabia que era do Renato. Ele cantou no show, eu achei linda e gravei”, contou. O encontro entre os dois só aconteceria algum tempo depois, nos corredores da gravadora Odeon, que posteriormente passou a se chamar EMI.

A aproximação aconteceu de maneira espontânea, quando Marina decidiu deixar a PolyGram para trabalhar mais perto de bandas brasileiras e de artistas com quem se identificava. Foi nesse ambiente que conheceu Renato e desenvolveu uma amizade que ultrapassou os limites profissionais. Os dois frequentavam um grupo de estudos sobre Nietzsche, coordenado pelo professor de filosofia Fernando Muniz, que reunia diferentes personalidades, entre elas a cantora Preta Gil e a atriz Denise Bandeira. Além dos encontros, Marina e Renato costumavam conversar por telefone durante a madrugada, e o músico também tinha o hábito de deixar livros na casa da amiga. Quando ela completou 40 anos, ganhou dele a enciclopédia “A História das Mulheres”.

Apesar da proximidade, os dois nunca chegaram a conversar sobre a gravação de “Ainda é Cedo”. “Não me esqueço dele. Não havia ninguém parecido com o Renato. Ele era único, original. Um profeta, um gênio”, declarou Marina ao recordar o amigo. A história revela um lado menos conhecido da relação entre dois nomes LGBTs importantes da música brasileira e preserva a memória de Renato Russo para além de seu legado com a Legião Urbana, destacando também os vínculos pessoais que construiu ao longo da vida.