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Gays de direita exaltam conservadorismo enquanto ignoram histórico do bolsonarismo contra eles mesmos: “É um povo bonito”

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A internet tem dessas coisas: gays de direita resolveram transformar a própria existência em um exercício de contradição política. Um vídeo que viralizou recentemente no X mostra um grupo de homens acompanhando o debate presidencial deste domingo (18), entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, e aproveitando a ocasião para exaltar a suposta superioridade estética dos gays conservadores. “Olha a qualidade dos gays de direita, olha isso, minha gente, é um povo bonito, não é aquela coisa horrorosa da Augusta, da Baixo Augusta”, diz um dos rapazes. Como se não bastasse, ele ainda garante que o grupo não tem “cheiro de cc” e que está todo mundo de banho tomado.

A cena seria apenas mais um episódio de autoestima delirante coletiva se não escancarasse uma contradição bastante curiosa: a necessidade de alguns homens gays de se aproximarem politicamente de figuras e movimentos que, historicamente, fizeram da oposição aos direitos LGBTQIAPN+ uma de suas bandeiras. No caso do bolsonarismo, o histórico de declarações contrárias à LGBTs é público e amplamente documentado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, integra uma família política cuja trajetória inclui discursos hostis à diversidade sexual e de gênero. Ainda assim, há quem acredite que apoiar esse campo político seja compatível com a defesa dos próprios direitos, como se a orientação sexual pudesse ser convenientemente ignorada na hora de escolher um projeto de país.

No fim das contas, cada um é livre para votar em quem quiser, inclusive contra os próprios interesses. Mas vale lembrar que a política não funciona como um camarote VIP no qual alguns gays recebem uma pulseirinha especial e ficam imunes às consequências das ideias que ajudam a eleger. A homofobia não costuma perguntar se o alvo é de direita, de esquerda, bonito, cheiroso ou bem vestido antes de agir. E talvez a pergunta que realmente incomode não seja quem tem o melhor perfume, mas por que alguém se empenha tanto em provar que merece ser aceito por um grupo político que, tantas vezes, deixa claro que não aceita quem essa pessoa é.