Milton Cunha desabafa e diz que não perdoou os pais por ter sofrido homofobia

Convidado do programa Papo de Segunda (GNT) da última segunda-feira (16/03), Milton Cunha desabafou que sofreu muito preconceito quando mais jovem por ser um gay afeminado. Segundo o carnavalesco, ele carrega até hoje alguns traumas da juventude e enfrenta dificuldades em supera-los.

“Lembro do meu pai com uma ternura enorme porque sei que ele não conseguia lidar com o que eu era, e acreditem, eu era”, disse ele, ao falar sobre a relação com seu pai. “Quando você nasce uma ‘bichinha’, em um lugar onde você é o afeminado da parada, você olha os adultos ao redor e diz: ‘ferrou, estou sozinho e ninguém gosta de mim’. A porrada vem de todos os lados; do vizinho, na escola? é de uma solidão fantástica”, desabafou.

“Veja bem, meu pai trabalhava com lanternagem de carro em oficina, vivia cheio de graxa, gostava de jogo de futebol, amigos, aquela loucura toda. Então ele me dizia: ‘Teus olhos não me enganam’ [se referindo ao fato de ser homossexual]. E eu respondia: ‘Mas não quero te enganar’”, completou.

Durante a entrevista, Milton ainda revelou que, mesmo após décadas, não perdoou os pais pelo passado. “Dez anos depois [que sai de Belém], uma década se passou, e eles me ligavam para dizer ‘Eu te perdoo”, e eu respondia: ‘Não, quem não perdoa vocês sou eu. Eu não perdoo vocês”, afirmou.

Felipe é redator do Pheeno! Focado em explorar cada vez mais a comunicação em tempos de redes sociais, o carioca de 25 anos divide seu tempo entre o trabalho e a faculdade de jornalismo, sempre deixando espaço para o melhor da noite carioca!