Detenta trans denuncia agressões, castigos coletivos e transfobia dentro de penitenciária feminina no DF
Uma mulher trans presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia) denunciou uma série de violências físicas, psicológicas e institucionais cometidas dentro da unidade. Jhully Arielle Fernandes Plácido Rodrigues, que cumpre pena na ala LGBTQIA+ do presídio, relatou à sua advogada ter sido alvo de agressões por parte de agentes penitenciários, além de sofrer castigos coletivos e discurso transfóbico por parte dos servidores. Um agente identificado como Mayke foi apontado por ela como o principal responsável pelas perseguições direcionadas às pessoas trans na unidade. Com informações do g1.
De acordo com o relato, Jhully teria sido derrubada ao chão no dia 11 de julho por um dos agentes, que chegou a pisar em sua cabeça, provocando um corte na sobrancelha. Conduzida ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito, a detenta afirmou que ouviu de um perito que a lesão na cabeça não seria incluída no laudo — apenas um ferimento no pé. Ela também relatou que não recebeu nenhum tipo de atendimento médico. Após um incidente com uma luminária, as internas da ala LGBTQIA+ foram submetidas a castigos coletivos, sendo transferidas com apenas a roupa do corpo e forçadas a permanecer em condições degradantes.
Entre os episódios mais graves, uma das detentas teria sido brutalmente agredida com socos, chutes e até um pedaço de ferro, enquanto outra foi atingida por balas de borracha. As internas ficaram sem banho de sol, sem acesso à higiene e aos serviços básicos de saúde. Em entrevista à TV Globo, a mãe de Jhully denunciou a situação de abandono e afirmou que não consegue visitar a filha há três rodadas de visitas. Segundo ela, uma advogada relatou que Jhully estava visivelmente machucada, com os cílios arrancados e um objeto de ferro cravado no pé. “Ela tá toda machucada. Um agente teria enfiado um ferro no pé dela e deixado o objeto entrar”, contou a mãe, em desespero.
Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou que instaurou um procedimento interno para investigar os fatos. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF) também abriu uma apuração preliminar. A Defensoria Pública do DF acompanha o caso por meio do Núcleo de Assistência Jurídica responsável, e a denúncia já foi encaminhada à OAB e ao Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Familiares de outras internas também se manifestaram e cobraram providências imediatas. “Estão indo lá somente para agredir elas. Que as autoridades venham averiguar a situação e suspendam todos os trabalhadores que estão fazendo isso”, exigiu a irmã de uma das detentas.