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Ceará registra quase uma vítima de homofobia ou transfobia por dia no primeiro semestre de 2025

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O Ceará enfrenta um cenário preocupante de violência contra a população LGBTQIAPN+: só no primeiro semestre de 2025, o estado registrou 193 vítimas de homofobia e transfobia, quase uma ocorrência por dia. Os números, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), mostram um aumento de 13,5% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 170 vítimas.

O mês de junho, marcado pelo Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, concentrou o maior número de casos, com 39 registros, demonstrando que, mesmo em períodos de celebração e visibilidade, a intolerância continua presente. A análise dos dados revela que 147 ocorrências foram de homofobia, representando um crescimento de 6,5%, e 46 de transfobia, com um aumento alarmante de 43,7%. Entre as vítimas, 32,6% se identificam como gays, 15% como lésbicas e 7,8% como bissexuais. Quanto à identidade de gênero, 40,9% das vítimas são homens cis, 21,8% mulheres cis e 11,9% mulheres trans. Fortaleza concentra a maior parte dos casos, com 118 registros, mostrando que, mesmo nas grandes cidades, o preconceito ainda é uma ameaça constante à vida e à segurança da população LGBTQIA+.

Apesar da escalada de casos, poucos chegam à Justiça. No primeiro semestre de 2025, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) registrou apenas 11 processos relacionados à intolerância por orientação sexual ou identidade de gênero. A situação se agrava em casos mais graves, como os assassinatos de pessoas trans — incluindo Vivia Paiva (Itapajé, junho/2025), Safira Meneghel (Fortaleza, agosto/2024) e Hérica Izidoro (2017) — que seguem sem solução.

O Ceará conta atualmente com apenas uma unidade especializada no atendimento de crimes por preconceito: a Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrim), localizada em Fortaleza e funcionando apenas em horário comercial. Segundo a SSPDS, policiais civis recebem capacitação contínua pela Academia Estadual de Segurança Pública, e desde 2023, a Decrim instaurou mais de 400 inquéritos na capital. Apesar disso, os números mostram que ainda há um longo caminho para garantir segurança, justiça e visibilidade à população LGBTQIAPN+ no estado.