Mais de 100 pessoas são detidas após operação policial em boate LGBTQ+: “Um verdadeiro pesadelo”
Mais de uma centena de pessoas que frequentavam uma boate voltada ao público LGBTQIA+ em Baku, capital do Azerbaijão, viveram horas de terror após uma ação policial realizada no fim de dezembro. Segundo informações divulgadas pelo veículo LGBTQ+ azerbaijano Qıy Vaar!, 106 frequentadores da boate Labyrinth foram detidos no dia 27 e submetidos a um tratamento considerado degradante, permanecendo por mais de 12 horas ao relento, em meio ao frio intenso, sem roupas adequadas, água, acesso a banheiros ou qualquer possibilidade de contato com familiares.
Apesar de a homossexualidade ser legalizada no Azerbaijão desde 2000, a realidade da população LGBTQIA+ no país segue marcada por violência institucional e ausência de garantias legais contra a discriminação. O cenário é refletido no mapa de direitos LGBTQ+ de 2025 da ILGA-Europa, que coloca o Azerbaijão na penúltima posição do continente, à frente apenas da Rússia. Relatos apontam ainda que, quando pais e familiares chegaram à delegacia do distrito de Nasimi em busca de informações, policiais teriam se referido aos detidos como “covardes”, além de tentar forçá-los a testemunhar uns contra os outros e exigir subornos para liberação.
Entre os relatos mais chocantes está o de Kiy Vaara, membro da comunidade e uma das pessoas detidas durante a operação. “Eu também estava lá, éramos 106 pessoas”, disse. “O que eu vi foi traumático para mim, não consigo esquecer. Quando fecho os olhos, lembro-me dos rostos dos policiais como num pesadelo. Mesmo implorando várias vezes para ir ao banheiro, eles não me deixaram entrar. Naquele frio, sem casaco, urinei nas calças e a urina congelou em mim.” O depoimento expõe a dimensão da violência psicológica e física enfrentada pelos frequentadores.
A repercussão do caso levou a ILGA-Europa a se manifestar publicamente, condenando a operação policial e o tratamento dispensado à comunidade queer em Baku. “Estamos profundamente preocupados com as notícias de uma operação policial em um espaço acolhedor para a comunidade LGBTQIA+ no centro de Baku, onde cerca de 100 pessoas teriam sido detidas”, afirmou a organização em comunicado. “De acordo com a nossa organização membro @qiyvaar e membros da comunidade, pessoas foram mantidas ao relento durante horas em clima frio, levadas a uma delegacia de polícia e submetidas a intimidação e violência, incluindo abuso físico, tratamento degradante, extorsão e um caso relatado de violência sexual. Os direitos humanos e a dignidade devem ser respeitados para todos no Azerbaijão”, finaliza a nota.

