A trajetória de Abel Braga no futebol brasileiro sempre foi associada a títulos, liderança e passagens marcantes por clubes tradicionais. Ídolo em diferentes praças, o atual diretor técnico do Internacional voltou a ocupar espaço nas manchetes nesta semana por um motivo distante das conquistas esportivas. O nome do dirigente passou a ser associado a um episódio que expôs os limites entre opinião pessoal, discurso público e responsabilidade social de figuras influentes no esporte.
Punido pela Justiça Desportiva, Abel recebeu suspensão de cinco partidas e multa de R$ 20 mil por declarações feitas em novembro de 2025, quando ainda comandava o Colorado à beira do gramado. A sanção foi aplicada pela 6ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que enquadrou o caso no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), dispositivo que trata de atos discriminatórios relacionados à orientação sexual e outras formas de preconceito.
O episódio ocorreu durante a apresentação oficial de Abel como treinador do Internacional, nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro de 2025. Ao comentar o uniforme de treino da equipe, o então comandante criticou a cor rosa e afirmou que não gostaria que o elenco utilizasse o modelo, alegando que “parece time de veado”. A fala provocou reação imediata nas redes sociais, com críticas de torcedores, especialistas e entidades ligadas à defesa dos direitos LGBTQIA+.
Diante da repercussão, Abel Braga recorreu às redes para se retratar publicamente. Em mensagem direcionada à torcida colorada, reconheceu o erro, pediu desculpas e afirmou que cores não definem gêneros, ressaltando a importância do respeito. Mesmo assim, o STJD entendeu que a conduta configurou infração passível de punição esportiva e financeira. A decisão ainda pode ser questionada no Pleno do tribunal, instância superior da Justiça Desportiva, caso a defesa opte por recorrer.










