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Bruno Motta desabafa sobre crescer como uma criança LGBTQ+ nos anos 1980: “Foram tempos cruéis”

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O humorista e produtor cultural Bruno Motta participou do programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil, nesta terça-feira (10/03), e abriu o coração ao falar sobre como foi crescer sendo uma criança LGBTQIAPN+ durante os anos 1980. No bate-papo, ele dividiu o sofá com Ruby Nox, campeã da segunda temporada de Drag Race Brasil, e relembrou episódios de preconceito enfrentados ainda na infância, muito antes de se tornar um dos nomes por trás da popular Gongada Drag.

Durante a conversa, Bruno contou que sempre teve a percepção de que sua família sabia quem ele era, mesmo que o assunto não fosse diretamente discutido na época. “Eu sou uma criança dos anos 80, que o preconceito ficava à minha volta, sabe? A minha família protegia, observava, mas eu era uma criança LGBT. Sei que minha mãe e meu pai sabiam, sabe?”, disse. Ele também recordou as dificuldades enfrentadas dentro da escola, onde o termo bullying sequer era utilizado. “Hoje tem um nome, é bullying, né? Naquela época era criança sendo cruel.”

Segundo o humorista, o caminho que encontrou para lidar com os ataques foi justamente o humor, algo que aprendeu dentro de casa e também consumindo televisão, livros e quadrinhos. “O jeito que eu acho que me protegi foi usando o humor que eu aprendi, principalmente com o meu avô e meu pai e com a televisão, porque me nutria muito do humor televisivo”, explicou. “Então eu construí isso em volta, como quem disse: ‘Se vocês mexerem comigo, aí eu vou mexer com vocês’.” Ao refletir sobre aquele período, Bruno foi direto: “A gente não pode deixar de dizer que foram tempos cruéis”.

O artista também comentou sobre como o debate em torno do humor e das piadas mudou com o passar do tempo. Para ele, muitas pessoas LGBTQIAPN+ riam de certas piadas no passado não porque achavam graça, mas por falta de alternativas. “As mulheres hoje ouvem coisas, e os LGBTs nós ouvimos coisas, que eu tento explicar para os meus amigos comediantes, quando eles dizem: ‘mas essa piada era engraçada antes’. A gente ria porque naquele momento a outra opção era apanhar, ou ficar de fora do grupo… hoje a gente tem voz para dizer: ‘isso não é engraçado’”, concluiu.