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Artista têxtil é criticado nas redes por associar sua arte a “corpos padrão” e incluir diversidade apenas em trabalhos pagos

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Um comentário aparentemente despretensioso do artista têxtil Renan Estivan no X acabou colocando seu trabalho no centro de um debate nas redes sociais — mas não só pelo tweet em si. Ao questionar “Por que as pessoas estão fazendo TANTO exercício??”, o artista viralizou e acabou levando usuários a resgatarem uma entrevista antiga sua, onde um trecho específico passou a concentrar as críticas.

Na conversa, ao ser questionado “A maior parte das suas obras trazem corpos-padrão. Você já se questionou a respeito disso?”, Renan responde: “Sou um corpo padrão, convivo com corpos padrões, namoro um corpo padrão, desejo outros corpos padrões…”. Em seguida, completa: “Então, um corpo fora do padrão não é algo que surge naturalmente na minha produção. Em trabalhos comissionados, consigo realizar isso com mais facilidade”. A fala, embora parta de uma experiência pessoal, foi interpretada por muitos como um reforço direto de um padrão estético já dominante.

É justamente aí que está o ponto central da crítica. Parte dos usuários apontou que, ao tratar a diversidade de corpos como algo que não surge de forma “natural”, o artista acaba posicionando outras corporalidades como exceção ou até como algo externo ao seu universo de desejo e criação. Dentro de um contexto em que a própria comunidade LGBTQIA+ debate constantemente a exclusão de corpos fora do padrão, a declaração foi vista como mais um exemplo da reprodução dessas hierarquias dentro da arte.

Outro trecho que também gerou incômodo foi quando Renan afirma que, em trabalhos comissionados, consegue representar outros corpos com mais facilidade. Para alguns, isso reforça a ideia de que a diversidade aparece apenas sob demanda, e não como parte orgânica da produção artística. Ainda assim, houve quem defendesse o artista, destacando a legitimidade de criar a partir da própria vivência. No fim, o que está circulando nas redes vai além de um tweet ou de uma entrevista antiga: é uma discussão sobre quem aparece, quem é desejado e quem segue ficando de fora até dentro de espaços que, em teoria, deveriam ser mais diversos.