Esse olhar conversa com reportagens como a da revista WIRED, que foi atrás de quem está por trás desses perfis e encontrou, em muitos casos, homens que nem fazem parte da comunidade que estão representando. Ainda assim, eles dominam as ferramentas, entendem o comportamento do público e sabem como transformar isso em engajamento. No fim das contas, a autenticidade vai ficando em segundo plano, enquanto o que ganha força é uma espécie de “desejo programado”. Como resume Nunes, “criar um influenciador gay de IA não exige ser gay, conhecer a cultura ou ter vivido o que você vai vender”.
Essa discussão não começou agora. Lá atrás, casos como o da influenciadora de IA Lil Miquela já levantavam dúvidas sobre o que é real e o que é fabricado no universo dos influenciadores virtuais — algo que a própria Forbes classificou como uma “falsificação problemática”. A diferença, agora, é que esses perfis passaram a operar dentro de códigos muito específicos, como os do universo gay masculino. Eles não vendem só imagem: vendem identificação, estilo de vida e até pertencimento, mesmo que tudo isso seja construído. Como o próprio post aponta, trata-se de “monetizar o desejo de uma comunidade sem pertencer a ela”.
O impacto disso vai além da publicidade. Dados da Hopelab, organização sem fins lucrativos dos EUA que estuda o impacto da tecnologia na saúde mental de jovens, mostram que criadores LGBTQ+ reais têm um papel importante na vida de muitos jovens, ajudando a diminuir a sensação de solidão e criando espaços de identificação. Quando esses lugares passam a ser ocupados por avatares, fica a pergunta: o que se perde no caminho? Para Nunes, o ponto central está aí: “quem controla a imagem do homem gay perfeito também controla o que essa comunidade aprende a desejar”. É um cenário em que visibilidade, afeto e dinheiro se misturam — nem sempre de forma clara, e muito menos justa.
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