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Mesmo após aprovação da Anvisa, injeção com quase 100% de eficácia contra o HIV segue sem previsão no SUS

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Mais de três meses após receber aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o lenacapavir — uma injeção aplicada apenas duas vezes ao ano e com eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV — ainda segue sem previsão de chegada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado um avanço promissor no campo da prevenção, o medicamento enfrenta, neste momento, entraves que vão além da ciência e esbarram diretamente em questões regulatórias e econômicas.

O principal gargalo está na definição do preço máximo, que precisa ser estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de qualquer avanço rumo à rede pública. Segundo a própria Anvisa, o prazo para essa etapa vai até o início de junho, “caso não ocorram interrupções”. Só depois disso o medicamento poderá ser analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar se novas tecnologias devem ou não ser incorporadas ao sistema público de saúde.

Mesmo com o registro sanitário já garantido, o lenacapavir ainda não pode ser amplamente comercializado no país nem sequer entrou na fila de análise da Conitec — justamente por não ter um preço definido. Em nota ao g1, o Ministério da Saúde confirmou a limitação: “O medicamento lenacapavir ainda não conta com essa última etapa e, com isso, não pode ser amplamente comercializado no Brasil nem ser avaliado pela Conitec”. A submissão à comissão exige, além do registro na Anvisa, a definição do valor pela CMED, etapa que segue pendente.

Para especialistas, no entanto, o maior desafio pode vir depois da burocracia. O infectologista Rico Vasconcelos alerta para o impacto financeiro da tecnologia: “Hoje, o principal limitante é o preço. O lenacapavir é vendido por valores muito altos fora do Brasil — cerca de 28 mil dólares por pessoa por ano — o que torna inviável a implementação no SUS em larga escala”. Enquanto isso, a farmacêutica responsável afirma que “quaisquer estimativas de preço são especulativas neste momento” e diz manter diálogo com o governo para discutir caminhos de acesso.