Home Destaque Advogado é denunciado e caso vai para a esfera criminal após publicações...

Advogado é denunciado e caso vai para a esfera criminal após publicações transfóbicos em grupo da OAB em MG

10

O que deveria ser um espaço institucional de troca de informações jurídicas acabou se transformando em palco para manifestações de ódio. Um grupo de WhatsApp da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pompéu, Minas Gerais, virou alvo de denúncias após a circulação de mensagens de teor transfóbico entre seus integrantes. O caso veio à tona após o compartilhamento de conteúdos ofensivos envolvendo mulheres trans e a deputada federal Erika Hilton.

Entre os episódios relatados, o advogado Leonel Anselmo de Carvalho é apontado como responsável por publicações que ridicularizam a identidade de gênero. Em uma das mensagens, ele compartilhou uma imagem com a frase: “Empresa comprometida com a igualdade de gênero solicita cinco mulheres trans para descarregar sete carretas de cimento”. Dias depois, voltou a publicar conteúdo, desta vez uma montagem falsa que simulava uma notícia envolvendo Erika Hilton, com o título fabricado: “Presidenta da Comissão da Mulher é internada às pressas com torção testicular”. Segundo a denúncia, o material consistia em fake news com o objetivo de produzir escárnio, inferiorização e humilhação pública por meio da exposição vexatória de elementos corporais.

As publicações geraram reação dentro do próprio grupo, que reúne cerca de 90 advogados, incluindo membros da diretoria local. Em outra postagem, feita por um segundo advogado, uma imagem de Erika Hilton ao lado do deputado federal José Guimarães foi acompanhada da legenda: “Ambos escondem algo na cueca”. A advogada Juçara Valdares se posicionou após uma das mensagens, destacando o impacto direto daquele tipo de conteúdo em sua vida pessoal, já que é mãe de uma mulher trans. Ainda assim, parte dos participantes reagiu com emojis de riso às postagens, reforçando a banalização do preconceito travestido de humor.

Diante da repercussão, o caso foi levado à esfera criminal e também à OAB de Minas Gerais. Uma notícia-crime foi encaminhada à delegacia especializada em crimes de intolerância, enquanto uma representação ético-disciplinar pede a responsabilização do advogado por conduta incompatível com a profissão. Autor da denúncia, o criminalista Alexandre Pinto Lourenço criticou duramente o ocorrido, afirmando que não se trata de “brincadeira”, mas de uma manifestação explícita de desprezo em um ambiente profissional. Em nota, a subseção da OAB em Pompéu afirmou não compactuar com qualquer forma de discriminação e reiterou compromisso com o respeito e a dignidade, embora alegue não ter sido oficialmente notificada até o momento.