Home Destaque Ataques contra pessoas LGBTQIA+ crescem após presidente da Indonésia classificá-las como uma...

Ataques contra pessoas LGBTQIA+ crescem após presidente da Indonésia classificá-las como uma “ameaça nacional”

5

A comunidade LGBTQIA+ da Indonésia vive um cenário de crescente preocupação após o presidente Prabowo Subianto classificar a chamada “promoção da cultura LGBTQ” como uma das ameaças não militares à segurança nacional. A medida consta em um regulamento presidencial de 70 páginas sobre a política de defesa do país e coloca a diversidade sexual e de gênero ao lado de questões como terrorismo, extremismo, tráfico de drogas, jogos de azar online e outras ameaças à estabilidade nacional. Para organizações de direitos humanos, a inclusão da pauta LGBTQIA+ nesse documento representa um perigoso precedente, capaz de estimular ainda mais a discriminação e a violência contra essa população.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que, embora a homossexualidade não seja criminalizada na maior parte da Indonésia, a nova diretriz pode servir como justificativa para que autoridades locais criem políticas ainda mais restritivas contra pessoas LGBTQIA+. A Human Rights Watch também alertou para uma escalada na repressão desde o início do governo de Prabowo, destacando que, durante o Mês do Orgulho de 2026, ao menos dez universidades públicas passaram a limitar ou proibir debates relacionados à diversidade sexual e de gênero. O Conselho dos Ulemás da Indonésia (MUI), uma das principais entidades islâmicas do país, também intensificou a pressão por leis mais duras, defendendo que a legislação atual seja ampliada para criminalizar de forma mais severa pessoas LGBTQIA+.

Enquanto o discurso oficial endurece, os episódios de violência se multiplicam. A organização Pelangi Nusantara denunciou que pelo menos 15 mulheres trans foram atacadas recentemente na cidade de Bogor. Segundo o grupo, as vítimas foram perseguidas por multidões, espancadas, despidas em público e, em alguns casos, chegaram a ser humilhadas com urina. Imagens que circulam nas redes sociais mostram parte das agressões, enquanto ativistas relatam que muitas dessas mulheres vivem em situação de extrema vulnerabilidade e ficaram com graves consequências físicas e psicológicas após os ataques.

O caso reacende o alerta de entidades internacionais sobre o avanço da hostilidade contra pessoas LGBTQIA+ na Indonésia. Embora relações entre pessoas do mesmo sexo permaneçam legais na maior parte do território, a exceção é a província de Aceh, onde vigora a sharia e atos homossexuais são punidos com penas como chibatadas em público. Para defensores dos direitos humanos, a retórica adotada pelo governo federal pode ampliar o estigma já enfrentado pela comunidade, reforçando a percepção de que pessoas LGBTQIA+ representam uma ameaça ao país e criando um ambiente ainda mais propício para perseguições, discriminação e violência.