Berlim ainda tenta assimilar a tragédia que interrompeu um dos maiores eventos LGBTQIA+ do mundo. Após o atentado que deixou uma pessoa morta e dezenas de feridos durante o fim de semana do Christopher Street Day, versão alemã da Parada LGBTQIA+, a capital alemã foi tomada por homenagens, manifestações de solidariedade e discussões sobre a violência contra grupos vulneráveis. As informações são da Folha de S.Paulo, que acompanhou o clima de luto na cidade após o ataque.
Segundo a reportagem, milhares de pessoas participaram de atos em memória das vítimas, espalhando flores, velas e bandeiras do arco-íris por diferentes pontos de Berlim. O italiano Sergio Mazzolini, que vive há 13 anos na cidade e estava no evento com o marido, contou sobre o impacto emocional após o ataque. “Só hoje percebi o quanto estava triste e, ao mesmo tempo, com raiva. Também porque li muitos comentários de ódio nas redes sociais. Tanto contra pessoas queer como contra imigrantes muçulmanos”, afirmou.
O ataque também trouxe à tona uma disputa de narrativas políticas na Alemanha, com críticas ao uso da tragédia por setores da direita para fortalecer discursos ligados à imigração e à segurança pública. Mazzolini questionou essa movimentação em um momento de crescimento da extrema direita no país. “Acho injusto que os partidos de direita possam ganhar ainda mais apoio com isso, embora sejam parte do problema”, declarou. Para ele, a resposta ao episódio precisa passar pelo enfrentamento do extremismo e pela garantia de segurança para grupos historicamente alvo de violência.
Mesmo diante do medo, a comunidade LGBTQIA+ de Berlim reforçou uma mensagem de resistência. Durante uma das manifestações realizadas após o atentado, cartazes lembravam que a cidade voltaria a celebrar sua diversidade: “Vamos dançar novamente”. Para Sergio, apesar da dor, a mobilização mostra que a população não pretende abrir mão dos espaços conquistados. “Não vamos nos deixar oprimir, não vamos ceder nosso espaço tão facilmente. Há também uma grande parte da sociedade que pensa assim. Isso é o que me mantém são”, afirmou.










