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Dono do frigorífico “Picanha do Bolsonaro” é acusado de calote e ameaça após querer ser passivo em programa com mulher trans

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Uma mulher trans identificada como Aline* — nome fictício adotado para preservar sua identidade — acusa o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, de transfobia, ameaça e de não pagar R$ 500 por um programa. O caso foi registrado na noite de 15 de junho na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), poucas horas após o encontro entre os dois. Conhecido nas redes sociais como criador da chamada “Picanha de Bolsonaro”, Leandro é aliado de figuras da direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e soma milhões de seguidores em seus perfis nas redes sociais.

De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual o portal Metrópoles teve acesso, Leandro já havia entrado em contato com Aline em outras ocasiões e voltou a procurá-la em maio deste ano para marcar um encontro. O empresário esteve no apartamento da acompanhante pelo período de cerca de uma hora. Segundo o relato, o desentendimento começou quando ele manifestou interesse em um tipo de serviço sexual que ela não oferece. “Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo”, registra o documento. Após o atendimento, Aline afirma que reconheceu o empresário e passou a questioná-lo sobre publicações consideradas transfóbicas feitas por ele nas redes sociais e sobre a contradição entre esse discurso e a contratação dos serviços de uma mulher trans.

Ainda conforme o boletim, a conversa rapidamente evoluiu para uma discussão. Em um vídeo gravado por Aline durante o encontro, ela critica o tratamento dado às pessoas trans e confronta o empresário sobre discursos transfóbicos. “Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês que chamam a gente para comer a mulher de vocês. (…) É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use banheiro das mulheres”, diz ela. Leandro responde apenas: “É, mas ele não ameaça, não”, ao que Aline rebate: “Mas ele ameaçou”. Após o episódio, a acompanhante afirma que o empresário tentou oferecer dinheiro para impedir a divulgação do vídeo. Ela garante ter recusado a proposta e afirma que jamais pediu qualquer valor em troca de silêncio.

Aline também acusa Leandro de passar a ameaçá-la após a negativa. Segundo o registro policial, ele teria dito: “Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você”. O empresário, que ficou conhecido por exibir na entrada do Frigorífico Goiás uma placa com a frase “Petista aqui não é bem-vindo” — posteriormente retirada por determinação da Justiça — também costuma publicar conteúdos direcionados contra pessoas trans nas redes sociais. Entre os alvos frequentes de suas postagens estão as deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSB-MG), além de publicações com teor transfóbico relacionadas ao uso de banheiros por mulheres trans. Até o momento, Leandro Batista Nóbrega não se pronunciou publicamente sobre as acusações.

Foto: Otavio Brito