Um grupo de homens trans realizou um protesto inusitado contra as leis anti-trans em vigor no Kansas, nos Estados Unidos. Autointitulados “KS SB244 Compliance Crew”, os manifestantes entraram no banheiro feminino do parque aquático Long Branch Lagoon, em Dodge City, no último sábado (8), justamente para cumprir as determinações de uma legislação que obriga pessoas trans a utilizarem espaços públicos de acordo com o sexo atribuído no nascimento. A ação teve como objetivo expor, na prática, o que os integrantes consideram o “absurdo” da norma.
O protesto foi uma resposta ao SB 244, projeto que determina que pessoas trans utilizem banheiros, vestiários e outras instalações municipais separadas por sexo conforme o sexo registrado ao nascer, e não de acordo com sua identidade de gênero. Para evidenciar as contradições da medida, os homens, descritos pelo próprio grupo como “barbudos e corpulentos”, entraram no banheiro feminino – em conformidade com a lei – usando camisetas amarelas com a inscrição “Compliance Crew” (“Equipe de Conformidade”). Segundo o programa Erin in the Morning, o gerente do parque teria gritado ao perceber a presença deles no local e retirado crianças que estavam nas proximidades. A polícia também foi acionada.
Os manifestantes permaneceram vestidos e não fizeram comentários de cunho sexual durante a ação. Ainda assim, segundo o grupo, eles precisaram fornecer ao gerente e aos policiais descrições consideradas constrangedoras de seus próprios corpos para demonstrar que estavam, tecnicamente, cumprindo a legislação. Em comunicado, a organização criticou justamente esse tipo de fiscalização. “Segregar pessoas com base em genitália suspeita não contribui em nada para a segurança pública”, afirmou o grupo, destacando que a política pode abrir espaço para constrangimentos, assédio e discriminação em espaços públicos.
De acordo com a própria organização, o “Compliance Crew” promove protestos-relâmpago em diferentes pontos do Kansas para chamar atenção para o que classifica como vigilância sobre os corpos de pessoas trans. A estratégia também busca evidenciar uma diferença na forma como homens e mulheres trans são tratados pelo debate político local. “Pessoas trans femininas sofrem o impacto mais severo da demonização”, afirma o grupo, enquanto homens trans seriam frequentemente vistos como “inofensivos” e infantilizados. “Acreditamos que é importante usar essa vantagem relativa para trabalhar em prol da mudança.” Com os atos, os manifestantes dizem querer pressionar pela revogação da SB 244, responsabilizar politicamente quem apoiou a medida e mostrar à população os efeitos concretos da segregação baseada no sexo.



