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PrEP injetável no SUS pode ter prioridade para quem enfrenta barreiras de acesso à prevenção

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A possível chegada do cabotegravir injetável ao Sistema Único de Saúde (SUS) pode ampliar as alternativas de prevenção ao HIV para pessoas que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde ou de adesão à PrEP oral. Documentos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde indicam que pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV e que atualmente não utilizam a profilaxia por barreiras sociais ou de acesso devem estar entre os grupos considerados prioritários, caso o medicamento seja incorporado. Os critérios definitivos, no entanto, ainda não foram estabelecidos, e também não há previsão para o início da oferta na rede pública.

O cabotegravir de longa duração é aplicado por via intramuscular e, depois das duas primeiras doses — uma inicial e outra um mês depois —, passa a ser administrado a cada dois meses. A proposta do Ministério da Saúde não é retirar a PrEP oral, que já é disponibilizada pelo SUS, mas ampliar as possibilidades de prevenção. A Anvisa autorizou o medicamento como PrEP para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 quilos e risco aumentado de adquirir o HIV. Durante a avaliação para possível incorporação ao SUS, a Conitec ampliou a população inicialmente considerada, passando de um recorte que incluía homens que fazem sexo com homens e mulheres trans de 15 a 30 anos para pessoas sexualmente ativas a partir dos 15 anos em contextos de maior vulnerabilidade.

Nos estudos clínicos que avaliaram a eficácia da formulação de longa duração, o cabotegravir apresentou desempenho superior à PrEP oral diária utilizada como comparação. No estudo HPTN 083, foi observada redução relativa de 66% no risco de infecção pelo HIV, enquanto o HPTN 084 apontou redução de 89%. Uma metanálise considerada pela Conitec estimou uma redução relativa global de aproximadamente 79%. Uma das explicações para a diferença está na menor dependência do uso diário: em vez de precisar lembrar do comprimido todos os dias, a pessoa retorna periodicamente ao serviço de saúde para receber a aplicação. Ainda assim, a adesão continua sendo necessária, já que faltar às aplicações programadas pode comprometer a proteção.

O acompanhamento médico também é fundamental durante o uso do cabotegravir. Antes de iniciar a PrEP, é necessário confirmar que a pessoa não vive com HIV, além de manter a testagem periódica durante o tratamento. Como o medicamento pode permanecer no organismo por um ano ou mais após a última aplicação, atrasos ou interrupções exigem atenção para evitar períodos de proteção inadequada. A bula recomenda testes de HIV a cada dois ou três meses e consultas regulares. No caso de uma eventual incorporação ao SUS, a definição de quais grupos terão prioridade e de como será feita a implementação ainda dependerá da conclusão do processo.