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Após 1,6 milhão de votos, Erika Hilton fala sobre possibilidade de chegar à Presidência: “Farei o que for essencial”

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A expressiva votação de Erika Hilton (PSOL-SP) nas eleições deste ano abriu espaço para uma discussão que, até pouco tempo atrás, parecia distante da política institucional brasileira: a possibilidade de uma pessoa trans chegar à Presidência da República. Reeleita deputada federal com 1,6 milhão de votos, a parlamentar se tornou a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados e afirmou, em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (6), que pretende contribuir para que o país um dia enxergue uma pessoa LGBTQIA+ ocupando o cargo mais alto do Executivo.

Apesar de não afirmar que pretende disputar a Presidência, Erika contou que ouviu o desejo de eleitores durante sua campanha. “Eu não vou dizer que tenho vontade de me candidatar a presidente, mas, quando fiz campanha, as pessoas me abraçavam e diziam que eu seria presidente. Eu acho bonito quando, dentro do meu grupo e fora, falam sobre essa possibilidade”, declarou. Na sequência, reforçou que a representatividade também passa por abrir caminhos para que outras pessoas LGBTQIA+ possam ocupar espaços historicamente negados à comunidade. “Eu farei o que for essencial para que o Brasil um dia enxergue uma pessoa trans, LGBT, como sendo presidente do país”, afirmou.

Para a deputada, porém, o Brasil ainda precisa enfrentar obstáculos como a misoginia e o machismo antes de alcançar esse momento. Erika afirmou que, caso uma eventual candidatura presidencial seja apresentada no futuro e os partidos entendam que ela pode ocupar esse lugar, não pretende permitir que a violência política seja um fator de impedimento. “Torço para que, se um dia essa proposta se apresentar e os partidos acharem que eu posso ocupar esse lugar, eu não me exima, pois não é o ódio que pode me impedir de ocupar lugares que podem ser históricos”, disse. A fala ocorre após uma eleição em que a presença de pessoas LGBTQIA+ no Congresso ganhou ainda mais visibilidade, com Erika se consolidando como uma das principais figuras desse movimento na política institucional.

A deputada também avaliou os desafios que deverão ser enfrentados a partir da próxima legislatura diante da nova composição do Congresso, que terá maior presença de partidos de direita. “Vocês viram a composição do Congresso, uma composição muito difícil, e que vamos precisar de muita energia”, afirmou. Erika citou ainda nomes e setores que considera parte desse novo cenário e defendeu que os partidos de esquerda façam uma reflexão sobre seus próprios caminhos. “Os partidos de esquerda precisam se organizar para que possam avançar e possam também perceber onde precisam atualizar suas plataformas, suas linguagens, seus quadros etc., fazer uma escolha acertada de como vamos valorizando esses quadros dentro do partido”, concluiu.