A política de deportações do governo de Donald Trump colocou dezenas de migrantes LGBTQ+ em situações de risco ao enviá-los para países onde relações entre pessoas do mesmo sexo são criminalizadas ou onde pessoas LGBTQ+ enfrentam histórico de perseguição e violência. Uma investigação publicada pela Reuters nesta segunda-feira (5) identificou pelo menos 40 casos de LGBTs deportadas pelos Estados Unidos para países africanos que não eram seus locais de origem, mesmo diante de possíveis riscos relacionados à orientação sexual.
Entre os casos está o de Abdou Latifou, um homem gay do Togo que havia recebido proteção judicial nos Estados Unidos justamente por não poder ser devolvido ao país de origem. Em junho, porém, ele foi deportado para Serra Leoa, onde relações entre homens continuam sujeitas a punições severas. Após passar cerca de duas semanas sob vigilância policial, Latifou foi enviado novamente ao Togo e precisou fugir, atravessando outros países da região em busca de segurança.
Segundo a Reuters, 16 dos 40 migrantes identificados pela reportagem permanecem nos países para os quais foram deportados, enquanto outros 16 foram posteriormente repatriados contra a própria vontade. Nove conseguiram se esconder em outros países e uma pessoa perdeu contato com familiares e advogados. Entre os destinos estão Serra Leoa, Camarões e Essuatíni, países que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, além de outras nações africanas onde a reportagem encontrou registros de abusos e perseguição contra a população LGBTQ+.
Os casos fazem parte da expansão da política de deportações para “terceiros países” adotada pelo governo Trump, que permite enviar migrantes para nações que não são seus países de origem. Dados preliminares obtidos pela Reuters apontam que mais de 40 mil pessoas foram deportadas dessa forma, incluindo cerca de 900 para países africanos. A medida vem sendo alvo de disputas judiciais nos Estados Unidos, enquanto organizações de direitos humanos alertam para os riscos enfrentados por pessoas LGBTQ+ enviadas para locais onde sua própria existência pode colocá-las sob ameaça.







