Home Destaque Governo francês fecha acordo inédito com Tinder, Grindr e outros aplicativos para...

Governo francês fecha acordo inédito com Tinder, Grindr e outros aplicativos para combater onda de “emboscadas homofóbicas”

10

Em resposta ao aumento alarmante de ataques contra pessoas LGBTQ+, o governo da França firmou um acordo inédito com os principais aplicativos de relacionamento do país para combater as chamadas “emboscadas homofóbicas”. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Igualdade e da Luta contra a Discriminação, ao longo de 2024 foi registrado, em média, um caso desse tipo a cada quatro dias — um cenário que acendeu o alerta das autoridades e impulsionou a criação de medidas mais rigorosas de proteção.

A iniciativa reúne plataformas populares como Tinder, Grindr, Bumble e Happn, além de organizações da sociedade civil como SOS Homophobie, Stop Homophobie, Le Refuge e Flag!. Juntos, eles assinaram a chamada “carta para a prevenção da violência e a segurança das pessoas LGBTQ+”, que estabelece ações concretas baseadas em três pilares: prevenir, denunciar e proteger.

Os ataques seguem, em muitos casos, um padrão semelhante: vítimas são atraídas por perfis falsos, convencidas a comparecer a encontros e, ao chegarem ao local, acabam sendo agredidas física e verbalmente por conta de sua orientação sexual. Para enfrentar esse tipo de crime, o acordo prevê o aprimoramento das ferramentas de denúncia dentro dos aplicativos, além do armazenamento de dados mesmo após a exclusão de contas, permitindo que informações relevantes sejam repassadas às autoridades e auxiliem na identificação e responsabilização dos agressores. Também está prevista a ampliação do uso de perfis verificados como forma de aumentar a segurança dos usuários.

Para a ministra da Igualdade, Aurore Bergé, a medida marca um avanço histórico. Em declarações públicas, ela destacou que essas emboscadas não podem ser tratadas como “encontros que deram errado”, mas sim como atos de violência direcionados e motivados por ódio. Bergé também ressaltou que a França se torna o primeiro país do mundo a estabelecer esse nível de cooperação entre governo, plataformas digitais e sociedade civil para enfrentar o problema. “Ferramentas criadas para promover conexões não podem ser usadas para organizar o ódio”, afirmou, reforçando que o objetivo é tornar o ambiente digital mais seguro e impedir que criminosos se escondam atrás das telas para agir com impunidade.