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Caso em MG: professora é demitida após perseguição de pais por se casar com mulher e leva caso à Justiça

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Uma professora de 22 anos afirma ter sido demitida de uma escola particular em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após pais de alunos descobrirem que ela iria se casar com outra mulher. O caso veio à tona em entrevista exclusiva à Voz da Diversidade, na qual Maria Eduarda Campos relata uma mudança brusca no tratamento que recebia dentro da instituição, mesmo após um histórico de elogios ao seu trabalho em sala de aula.

Segundo a educadora, que lecionava para uma turma do 1º ano do ensino fundamental, o reconhecimento por parte das famílias era frequente. “Cheguei a receber um bilhete de uma mãe dizendo que o mundo precisava de mais professoras como eu”, contou. No entanto, o cenário começou a mudar após sua festa de chá de panela, quando decidiu levar doces para compartilhar com colegas e acabou mencionando, de forma espontânea, seu casamento durante um momento com os alunos.

A situação ganhou contornos mais delicados quando, ao ser questionada por uma criança sobre o nome de seu “marido”, Maria Eduarda respondeu que se casaria com uma mulher e aproveitou a oportunidade para falar, de forma educativa, sobre a diversidade de famílias e a importância do amor. No dia seguinte, ela foi chamada pela direção da escola e informada de que uma mãe havia reclamado, alegando não querer que a filha tivesse contato com esse tipo de informação. A professora diz ainda que foi orientada a evitar comentários sobre sua vida pessoal no ambiente escolar.

Nos dias seguintes, de acordo com o relato, a pressão aumentou. Pais teriam feito comentários ofensivos, questionado sua postura e até sugerido mudanças em sua rotina, como esconder uma foto com a noiva no celular. Apesar de afirmar que seus alunos apresentavam bom desempenho — inclusive com resultados positivos em uma avaliação sugerida por ela —, Maria Eduarda foi demitida por telefone. “A diretora disse que os alunos estavam indo muito bem, mas que mesmo assim eles queriam a minha saída”, revelou. Agora, a disputa deve ganhar novos capítulos na Justiça, onde a professora tenta responsabilizar a escola e os pais envolvidos pelo que considera um caso de discriminação.