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Recepcionista denuncia transfobia no Tribunal de Justiça de Rondônia: “Queria apenas sair dali e chorar”

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Uma mulher trans que atua como recepcionista no Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) decidiu levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma série de denúncias de transfobia que afirma ter sofrido no ambiente de trabalho. Aos 31 anos, Darlliny Martins de Freitas relata que buscou ajuda após, segundo ela, não encontrar respostas efetivas dentro do próprio tribunal, que nega ter sido omisso. A funcionária afirma que percorreu diversos canais institucionais, como ouvidoria, setores administrativos e recursos humanos, na tentativa de formalizar as ocorrências.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu durante uma campanha de vacinação, quando uma técnica de enfermagem ignorou o nome social de Darlliny e questionou em voz alta: “Qual é o nome dele?”. A situação, presenciada por outros servidores e até um magistrado, expôs a recepcionista a um constrangimento público. “Fiquei sem reação. (…) Eu apenas queria sair dali e chorar”, relembra. Segundo ela, mesmo após relatar o caso à administração, nenhuma medida imediata foi tomada.

As situações, de acordo com Darlliny, continuaram a se repetir, inclusive após sua transferência para o Fórum de Ji-Paraná, onde esperava recomeçar. No novo local, ela afirma ter vivido “os sete meses mais difíceis” de sua vida, enfrentando comentários diários e situações constrangedoras. Entre os episódios mais graves, ela denuncia o acesso indevido e o compartilhamento de seus dados pessoais com terceiros, incluindo policiais, sem que providências fossem adotadas. O retorno a Porto Velho só teria sido autorizado após ela mencionar a possibilidade de acionar a Justiça.

De volta à capital, Darlliny diz ter reencontrado a profissional envolvida no primeiro caso de transfobia e, novamente, enfrentado situações de desrespeito, inclusive sendo tratada no masculino diante de colegas. Após anos lidando com os episódios em silêncio, por receio de perder o emprego, ela afirma que sua saúde mental foi profundamente afetada. O TJ-RO, por sua vez, sustenta que adotou as medidas cabíveis dentro dos ritos legais, informou que o caso segue em apuração sob sigilo e destacou que mantém políticas de combate à discriminação e promoção da diversidade. Enquanto isso, Darlliny também aguarda retorno de outras instâncias, como o Conselho Regional de Enfermagem, onde registrou denúncia recente.