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Aos 92 anos, travesti mais velha do Brasil vira alvo de ataques transfóbicos após homenagem; OAB aciona MP

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A Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Governador Valadares acionou o Ministério Público de Minas Gerais após a idosa trans Tiana Cardeal, reconhecida como a pessoa trans mais velha do Brasil, de 92 anos, ser alvo de uma série de comentários transfóbicos nas redes sociais. Figura histórica da luta LGBTQIAPN+ no país, ela foi recentemente homenageada pela Câmara Municipal de Governador Valadares, em reconhecimento à sua trajetória de vida e resistência, o que acabou sendo seguido por uma onda de ataques virtuais.

Os episódios de ofensas começaram a ganhar força logo após a realização da audiência pública “Comunidade LGBTQIAPN+ de Governador Valadares: da invisibilidade à cidadania”, realizada na última quarta-feira (24). No encontro, Tiana recebeu uma Moção de Aplausos como forma de valorizar sua contribuição para a visibilidade e garantia de direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente em um contexto ainda marcado por preconceito e invisibilização de pessoas trans idosas.

De acordo com o presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB de Governador Valadares, Washington Fabri, houve um trabalho minucioso de registro de todas as ofensas antes da formalização da denúncia. Segundo ele, foram reunidos prints, links e informações de perfis responsáveis pelos ataques. “A gente printou todos os comentários, todas as páginas, pegamos os links, comentário por comentário, para poder identificar essas pessoas. Em muitos casos, havia informações sobre o local de trabalho. Todo esse material foi encaminhado ao Ministério Público para que sejam feitas as investigações e essas pessoas possam responder”, explicou.

Além da atuação da OAB, a comissão também destacou que recebeu apoio de coletivos LGBTQIAPN+ no mapeamento dos conteúdos ofensivos, que ajudaram a reunir capturas de tela e perfis envolvidos nos ataques. Todo o material foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais para apuração. A homenagem a Tiana, por sua vez, ocorreu durante uma audiência pública na Câmara Municipal, que também exibiu trechos do documentário “Meu Nome é Tiana”, reforçando a importância de sua história. Ao final, as propostas discutidas no evento foram encaminhadas aos órgãos competentes, em um movimento que busca transformar debate em políticas concretas de cidadania e proteção à população LGBTQIAPN+.