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Exclusivo: Brasil conhece a PrEP, mas ainda resiste ao uso; Grindr anuncia parceria com UNAIDS para ampliar prevenção ao HIV

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A ampliação do acesso à informação sobre o HIV e às estratégias de prevenção tem transformado a resposta à epidemia nas últimas décadas, mas o conhecimento, por si só, ainda não é suficiente para mudar comportamentos. Um levantamento realizado pelo Grindr revela que, embora o Brasil esteja entre os países que mais conhecem a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) — medicamento capaz de prevenir a infecção pelo HIV e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) —, a adesão ao método permanece abaixo do esperado. Dos dez países incluídos na pesquisa, o Brasil aparece na segunda colocação em nível de conhecimento sobre a PrEP, com 72% dos entrevistados afirmando conhecê-la, mas apenas 28% disseram fazer uso da estratégia preventiva.

Os dados foram apresentados durante um encontro promovido pelo Grindr For Equality, iniciativa de impacto social da plataforma, realizado paralelamente à Conferência Internacional da AIDS 2026, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a empresa anunciou um compromisso global de ampliar o acesso à prevenção do HIV por meio do aplicativo e revelou que prepara uma parceria com o UNAIDS Brasil voltada especificamente à promoção da PrEP no país. “Hoje anunciamos um compromisso global de conectar 10 milhões de pessoas à PrEP. Percebemos que, embora a conscientização esteja aumentando, muitas pessoas ainda não sabem como acessar o medicamento nem como manter a adesão ao tratamento”, afirmou Joe Hack, chefe global de Assuntos Governamentais do Grindr, com exclusividade para o Pheeno. Segundo ele, a plataforma utilizará diferentes ferramentas, como banners, mensagens na caixa de entrada e outros recursos internos, para divulgar informações sobre prevenção, testagem e acesso aos serviços de saúde, sempre respeitando a experiência dos usuários para evitar excesso de notificações.

Para Mohan Sundararaj, diretor do Grindr for Equality, o principal desafio deixou de ser apenas informar e passou a ser eliminar as barreiras que impedem as pessoas de transformar conhecimento em prevenção efetiva. Segundo ele, o estigma em torno do HIV e da saúde sexual ainda afasta muitos usuários dos serviços disponíveis, seja pelo medo da discriminação ou pela dificuldade de acesso. “As pessoas querem uma forma rápida e eficiente de acessar a PrEP. Ninguém quer enfrentar filas ou correr o risco de ser estigmatizado por um profissional de saúde por causa de quem é”, destacou. O executivo também defendeu que o combate à desinformação passa pela oferta de conteúdo baseado em evidências científicas e por parcerias com organizações reconhecidas, como o UNAIDS, capazes de adaptar as mensagens às diferentes realidades culturais.

Apesar da baixa adesão apontada pelo levantamento, especialistas destacam que o Brasil registra avanços importantes na política pública de prevenção ao HIV. De acordo com Gustavo Passos, Oficial de Igualdade e Direitos na UNAIDS Brasil, o país já ultrapassou a meta internacional de cobertura da PrEP, com mais de cinco usuários regulares do medicamento para cada nova infecção por HIV — índice superior ao parâmetro considerado ideal. O desafio, porém, continua sendo reduzir as desigualdades regionais. “Cerca de um terço de toda a oferta de PrEP do país está concentrada em São Paulo. Em estados da Região Norte e da Amazônia ainda existem poucas unidades de dispensação da medicação”, afirmou. Segundo ele, parcerias com plataformas digitais como o Grindr têm contribuído para aproximar populações vulneráveis das políticas de prevenção, ampliando o acesso à informação e fortalecendo iniciativas que já produzem impactos concretos na resposta brasileira à epidemia.