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Eleições 2026 batem recorde de candidaturas trans e ampliam presença LGBTQIA+ na política

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A presença de pessoas LGBTQIA+ nas urnas ganha novos contornos nas eleições de 2026. Pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passa a disponibilizar oficialmente informações sobre identidade de gênero, permitindo dimensionar com dados da própria Justiça Eleitoral a participação de pessoas trans na corrida eleitoral. Até o momento, 107 candidaturas trans foram registradas em todo o país, número que supera em 35% o levantamento feito nas eleições de 2022 por organizações da sociedade civil. Os registros ainda estão sujeitos a mudanças ao longo do processo eleitoral.

Mais do que um aumento numérico, os dados revelam uma tentativa crescente de transformar a representatividade em ocupação efetiva dos espaços de poder. Entre as candidaturas trans, a maior parte está concentrada nas disputas proporcionais: são 54 nomes na corrida pelas Assembleias Legislativas e 50 candidatos à Câmara dos Deputados. Há ainda duas candidaturas para deputado distrital e uma para vice-governador. Na divisão por partidos, o PSOL lidera com 39 candidaturas, seguido pelo PT, com 16, e pelo PDT, com 15.

O levantamento também permite enxergar uma parcela mais ampla da diversidade sexual presente nas eleições. Ao todo, 407 candidatos declararam ao TSE uma orientação sexual não heterossexual. São 150 pessoas bissexuais, 134 gays, 86 lésbicas, 26 pansexuais e 11 assexuais. Considerando os dois recortes — identidade de gênero e orientação sexual —, o pleito reúne 514 candidaturas LGBTQIA+. O número ainda está longe de refletir a diversidade existente na sociedade brasileira, mas indica que mais pessoas desse grupo estão se colocando como protagonistas na disputa por representação política.

A mudança na maneira de contabilizar essas candidaturas também é significativa. Em 2022, a ausência de uma categoria oficial para identidade de gênero nas bases do TSE fez com que o monitoramento dependesse de levantamentos independentes, como o realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que encontrou 79 candidaturas trans naquele ano. Agora, com a coleta institucionalizada, a participação de pessoas trans deixa de depender exclusivamente de iniciativas externas para ser registrada nas estatísticas eleitorais.